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PF faz operação sobre desvio de emendas em hospital e mira secretário de deputado

FolhaPress 13/02/2025 12:43

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (13), no Rio Grande do Sul, 11 mandados de busca e apreensão em investigação sobre desvio de emendas parlamentares destinadas ao Hospital Ana Nery, no município de Santa Cruz do Sul.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), no último dia 4, e mira emendas do deputado Afonso Motta (PDT-RS) e suposta participação do secretário do parlamentar Lino Rogerio no esquema. A assessoria do deputado afirmou que ainda não teve acesso aos autos e, por isso, não sabe do que se trata a investigação, só o que saiu pela imprensa.

Os investigadores afirmam que encontraram notas fiscais que demonstraram que foram pagas comissões a uma empresa de intermediação de negócios para a captação de emendas ao hospital.

De acordo com a apuração, foram identificados três pagamentos pelo hospital por estes serviços que totalizam R$ 509,4 mil. Também foi verificado que 6% dos valores eram repassados a um articulador, e outra parte era dividida entre funcionários do hospital e o secretário parlamentar.

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A ação foi batizada de EmendaFest e teve ordens judiciais cumpridas nas cidades de Estrela, Rosário do Sul, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Lajeado, além de Brasília. Até as 9h30, a PF havia apreendido cerca de R$ 350 mil e dois celulares no forro de um escritório, durante as buscas. Os crimes em apuração são desvio de recursos públicos e corrupção ativa e passiva.

Foram analisadas cerca de 100 páginas com transcrição de conversas de WhatsApp entre os supostos envolvidos, como um lobista e o secretário parlamentar. Segundo as investigações, o assessor sugeriria o desvio de emendas do deputado nos diálogos.

A partir disso, foi constatada a existência de uma organização criminosa que direcionava emendas parlamentares e se apropriava de parte desses recursos públicos.

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Em sua decisão, Flávio Dino entendeu que, apesar de não existir, nesse momento, nenhum pedido em face de uma autoridade com prerrogativa de foro no STF, a competência para apreciação é da Suprema Corte por referir-se a investigações decorrentes de verbas destinadas por parlamentar federal.

"Somente a Suprema Corte pode supervisionar a investigação sobre a existência, ou não, do envolvimento do parlamentar federal com o desvio dessas emendas. A situação fática transcrita na representação da Polícia Federal demonstra a existência de encaminhamento de emendas para o Hospital Ana Nery", disse.

O ministro também afirmou ser necessário desvendar quem foram os autores de outras emendas para o hospital, além do deputado citado.

A assessoria do deputado acrescentou que está buscando ter acesso à investigação para se posicionar "porque a ação não envolveu o deputado diretamente".

Também informou que não houve qualquer ação de busca e apreensão em nome do deputado ou no gabinete e que o secretário já foi exonerado.

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Dino e o STF têm ouvido recados dos novos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) indicando a relação de desconfiança entre as instituições em torno do debate das emendas e das ações sobre o tema no tribunal.

Já o ministro tem mencionado a separação entre os Poderes e que o Supremo tem buscado o respeito a tetos e limites às emendas parlamentares. "A independência de cada Poder não pode ultrapassar as fronteiras demarcadas pela Constituição, sob interpretação final do STF", disse o ministro.

Em 3 de janeiro, Dino chegou a suspender os repasses a 13 ONGs e entidades do terceiro setor que não forneceram informações detalhadas sobre as emendas que receberam durante o ano.

A transparência das ONGs foi alvo de auditoria da CGU. O órgão avaliou se as organizações divulgam na internet, "de forma acessível, clara, detalhada e completa, o recebimento e a execução dos recursos".

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