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PF: Castro tinha 'vínculo próximo' e 'alinhamento político' com Vorcaro para investir no Master

Estadão Conteúdo 26/05/2026 14:51

As transferências de R$ 3 bilhões do Rioprevidência para fundos de investimento ligados ao Banco Master dependiam da atuação política do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), segundo a Polícia Federal (PF).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na manhã desta terça-feira, 26, Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão na oitava fase da Operação Compliance Zero sob suspeita de manter "vínculo próximo" e "alinhamento político" com o banqueiro Daniel Vorcaro, termos usados pela PF no pedido feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) para autorizar a operação.

A defesa de Castro não se manifestou sobre as diligências até a publicação desta matéria.

A decisão do ministro do STF André Mendonça, que autorizou as diligências, aponta que Cláudio Castro "exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes do Rioprevidência no Banco Master".

Na representação, a PF destaca o "sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do Regime Próprio de Previdência Social, além de conversas encontradas no celular de Vorcaro indicando que a liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-chefe do Executivo estadual".

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O Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores fluminenses, aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central e suspeita de operar créditos considerados de alto risco. Esses títulos são papéis de dívida emitidos diretamente pelo banco, sem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e funcionam como empréstimos feitos por investidores à instituição.

Agora, a Polícia Federal apura aplicações de R$ 2,01 bilhões em fundos de investimento ligados ao Banco Master a partir de julho de 2024. Nesse caso, os recursos são reunidos e administrados por gestoras, que aplicam o dinheiro em diferentes ativos financeiros, incluindo papéis emitidos pelo próprio banco. Somadas as duas modalidades, as movimentações sob investigação chegam a cerca de R$ 3 bilhões transferidos pelo Rioprevidência.

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Segundo a Polícia Federal, "a atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência".

Esse relacionamento, de acordo com os investigadores, "teria viabilizado o alinhamento político necessário para a liberação dos investimentos, bem como a nomeação estratégica de dirigentes do RioPrevidência em cargos-chave (Presidência, Diretoria de Investimentos e Gerência de Investimentos), assegurando que as decisões de credenciamento e de aplicação de recursos previdenciários fossem conduzidas e desconformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas em consonância com os interesses do Banco Master".

A Polícia Federal afirma que as investigações identificaram mudanças na composição da diretoria do Rioprevidência pouco antes do início da série de investimentos no Banco Master.

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Além de Castro, também foram alvo nesta terça-feira o lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, o ex-diretor de Investimentos Eucherio Lerner Rodrigues, o ex-gerente de Investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal e a ex-gerente de Controle Interno e Auditoria Fernanda Pereira da Silva Machado.

Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A reportagem busca contato com as defesas. O espaço está aberto para manifestação.

Para a PF, o "sincronismo" entre reuniões e os aportes financeiros, somado à troca de integrantes da diretoria do fundo, à supressão de etapas técnicas no processo decisório e à ausência de justificativas formais para as operações, reforça a suspeita de interferência política de Castro nas aplicações.

É a segunda vez em 11 dias que o ex-governador do Rio é alvo de buscas da Polícia Federal. No dia 15, no âmbito da Operação Sem Refino, investigação sobre as ligações da gestão de Castro com o Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior sonegador de impostos do País, os agentes apreenderam o celular e o tablet do ex-governador.

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