Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 08h46m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Petrobras deve esperar para ajustar gasolina à queda do petróleo

FolhaPress 07/04/2025 18:11

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o aumento da produção pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) levou as cotações internacionais de petróleo aos menores níveis desde o início de 2021, quando o mundo ainda vivia sob a pandemia da Covid-19.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A reportagem apurou, porém, que a Petrobras ainda não pretende mexer nos preços dos combustíveis no país, para não repassar volatilidades ao consumidor interno, como prevê sua política comercial. Reajustes só serão aprovados quando a empresa entender que as cotações se estabilizaram em novo patamar.

Nesta segunda-feira (7), o petróleo Brent passou o pregão desta terça oscilando em torno dos US$ 64 por barril. Na última terça (1), antes de Tump anunciar o tarifaço e da Opep informar que ampliaria a produção, a cotação oscilava em torno dos US$ 75 por barril.

SESC PICASSO

Com a queda, a Petrobras volta a vender combustíveis com prêmio em relação ao mercado internacional, o que poderia justificar novos cortes -a estatal não mexe no preço da gasolina desde julho de 2024; no diesel, houve um corte no início de fevereiro.

Na abertura do mercado desta segunda, a gasolina vendida pela estatal custava R$ 0,12 a mais do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). No caso do diesel, o prêmio era de R$ 0,17 por litro.

Analistas preveem que o cenário baixista deve se manter, já que a guerra comercial iniciada por Trump tende a ter efeitos negativos sobre a economia global. Neste domingo (7), por exemplo, o banco Goldman Sachs reduziu em US$ 4 por barril sua projeção para as cotações ao fim de 2025.

CONTADOR - BONUS

Segundo eles, o Brent deve fechar o ano em US$ 62 por barril, confirmadas as projeções de recuo na economia global. Para 2026, a projeção foi cortada para US$ 58 por barril.

Eventual corte no preço dos combustíveis, e sua dimensão, no entanto, depende também do comportamento do câmbio, outra variável usada pela Petrobras em suas análises. Nesta terça, o dólar fechou em alta de 1,29%, a R$ 5,91.

Cortes no preço da gasolina, principalmente, têm grande impacto sobre a inflação, já que o produto tem o maior peso individual no cálculo do IPCA. Caso confirmado, um novo patamar no mercado externo pode ajudar no esforço do governo para forçar redução da taxa de juros.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Por outro lado, a consolidação de um novo patamar de preços de petróleo tem impacto sobre a balança comercial e a arrecadação de governos em diferentes esferas. A commodity foi o principal produto de exportação do Brasil em 2024, gerando US$ 45 bilhões em receita.

Os royalties e participações especiais pagos por petroleiras a União, estados e municípios também variam de acordo com as cotações em internacionais. Em 2024, as duas rubricas somaram cerca de R$ 95 bilhões.

A receita tem grande peso na arrecadação do estado do Rio de Janeiro e de municípios em frente ao pré-sal, como Maricá. Com o petróleo em torno dos US$ 75 por barril, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) estimava que a cifra superasse R$ 100 bilhões em 2025.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas