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Pedido de prisão preventiva de Zambelli tem respaldo legal, dizem especialistas

FolhaPress 03/06/2025 17:12

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pedido de prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República) nesta terça-feira (3) tem respaldo legal, apontam especialistas ouvidos pela Folha.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A Procuradoria fez o pedido após a parlamentar anunciar que deixou o país e que não pretende voltar.

A deputada foi condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em maio a 10 anos de prisão e perda de mandato sob acusação de invasão ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A parlamentar também sinalizou que pretende pedir licença do cargo.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha, a ida de Zambelli ao exterior é um caso clássico que embasa a prisão preventiva. Eles afirmam que não havia nenhum impedimento legal para que ela saísse do país, uma vez que a condenação no STF não havia transitado e que não havia contra ela nenhuma medida cautelar como retenção do passaporte.

O documento da parlamentar já havia sido apreendido em 2023, durante operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Entretanto, foi devolvido a Zambelli depois de concluída a etapa de investigação do caso da invasão aos sistemas do CNJ.

SESC PICASSO

Apesar da falta de impeditivo legal para deixar o país, a ação de Zambelli enseja o pedido de prisão preventiva. Isso porque a ação que visa dificultar a aplicação da lei penal, ou seja, que ela seja responsabilizada pelos crimes que cometeu se considerada culpada em etapa sem possibilidade de apelação, é um dos requisitos para esse tipo de prisão de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro.

"Se não há uma ordem judicial que a impeça de sair do país, por qualquer motivo, mesmo que ela esteja respondendo a um inquérito ou a uma ação penal, ela pode sair tranquilamente. Pode sair, pode voltar, pode sair de novo. Enfim, não há impedimento legal", afirma Thiago Bottino, professor da FGV Direito.

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"Por outro lado, se ela estiver respondendo a uma ação penal e o magistrado responsável entender que a saída do país tem como objetivo fugir de uma eventual responsabilização criminal, atrapalhar a instrução processual ou a investigação policial, ou até mesmo continuar praticando crimes, o juiz pode determinar seu retorno ao país ou até decretar sua prisão preventiva."

Juliana Izar Segalla, doutora em direito constitucional pela PUC-SP e professora da Universidade Estadual do Norte do Paraná, também avalia que a viagem de Zambelli deu à PGR (Procuradoria-Geral da República) fundamento legal para solicitar a preventiva.

Feito o pedido, o Judiciário pode decretar a medida e acionar a Interpol.

Caso Zambelli esteja em trânsito entre países, a polícia internacional pode retê-la e enviá-la ao Brasil. Se já estiver no país onde pretende pedir asilo, cabe ao Brasil fazer o pedido de extradição.

Nesse caso, a entrega da parlamentar vai depender das regras daquele país e do acordo que tem com o Brasil, explica Luisa Ferreira, professora da FGV Direito.

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Em entrevista à CNN, a deputada disse estar nos Estados Unidos. Ela sinalizou, porém, que pretende ir para a Itália por ter passaporte e cidadania no país. "Eu tenho um passaporte italiano, pode colocar Interpol atrás de mim, eles não me tiram da Itália", disse Zambelli em entrevista à CNN.

Segundo Welington Arruda, mestre em Direito e Justiça pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), o cumprimento de eventual pena no exterior dependeria de acordos bilaterais de cooperação penal e transferência de sentenciados, o que exige trâmites diplomáticos complexos.

A situação, explica o especialista, lembra em parte o caso do ex-jogador de futebol Robinho, cuja extradição foi negada para a Itália após ele se refugiar no Brasil, aproveitando-se de sua cidadania brasileira. O atleta, no entanto, cumpre pena no Brasil, pois o STJ (Superior Tribunal de Justiça) validou a condenação pela Justiça italiana.

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