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Partilha de comissões do Congresso deve abrir espaço para bolsonarismo

FolhaPress 05/02/2025 09:52

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A divisão das comissões da Câmara e do Senado pode abrir espaço para dois filhos de Jair Bolsonaro (PL) e alçar bolsonaristas a postos estratégicos no embate com o governo Lula (PT).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O Senado já dá como certa a ida de Flávio Bolsonaro (PL) para a Comissão de Segurança Pública, uma das áreas de maior preocupação dos brasileiros. Mesmo fora do cargo, o senador já colocou como prioridade a revisão das audiências de custódia e o endurecimento da legislação.

Ex-presidente da comissão, o senador Sérgio Petecão (PSD-AP) tem dito nos bastidores que ajudou a segurar projetos controversos da oposição e que, com Flávio, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, não deve ter vida fácil.

Nos últimos meses, Flávio se aliou ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), para fazer frente à chamada ADPF das Favelas, ação em curso no STF (Supremo Tribunal Federal) que questiona operações policiais em comunidades do estado.

Na Câmara, a oposição fala em trabalhar para que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ocupe posição atrelada às relações internacionais. Eduardo é o atual secretário de relações internacionais do PL e mantém relação com nomes da direita mundial, sobretudo aliados dos presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei.

Integrantes do PL afirmam que a atuação do deputado à frente da Comissão de Relações Exteriores poderá causar dores de cabeça ao Executivo, com a convocação de autoridades e requerimentos de informação sobre a relação do Brasil com Cuba e Venezuela, por exemplo.

Eles enxergam que a comissão poderá concentrar nomes da oposição e atuar de forma semelhante à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) sob o comando da bolsonarista Caroline de Toni (PL-SC), em 2024 —quando o colegiado conseguiu avançar com pautas ideológicas.

SESC PICASSO

A possível ida de Eduardo para a presidência do colegiado acendeu o alerta entre integrantes do governo e do PT na Câmara.

Auxiliares do ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) procuraram o Planalto na semana passada para medir o impacto e pensar se há alguma maneira de impedir isso, diante da avaliação de que o deputado está se articulando com a direita trumpista no que chamam de "campanha difamatória" contra a democracia brasileira.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), diz que uma das prioridades da bancada será "blindar" a Comissão de Relações Exteriores. Ele afirma que, diante da realização neste ano da COP (Conferência de Mudanças Climáticas da ONU) no Brasil, seria importante um "nome mais consensual" à frente do colegiado.

"Ideal é que tivesse um nome mais consensual da Casa e a comissão não fosse utilizada para articulação da extrema direita", diz o petista.

Foi também por causa da COP que o PT do Senado pediu a presidência da Comissão de Meio Ambiente. O partido deve indicar o senador Fabiano Contarato (ES) para o cargo.

No Senado, o PL também garantiu a presidência da Comissão de Infraestrutura, responsável pela sabatina das cobiçadas diretorias em agências reguladoras, com a indicação de Marcos Rogério (RO).

CONTADOR - BONUS

Já a ex-ministra da Mulher e da Família de Bolsonaro Damares Alves (DF) foi indicada pelo Republicanos para a Comissão de Direitos Humanos da Casa. Mesmo sendo uma voz ruidosa contra o direito ao aborto, inclusive nos casos previstos em lei, a senadora promete priorizar pautas de consenso.

Damares tem dito que pretende seguir o tom conciliador do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A ex-ministra tem falado de forma genérica sobre a defesa dos direitos das crianças e listado aos colegas pautas relacionadas aos idosos, incluindo a revisão do Estatuto do Idoso.

Na Câmara e no Senado, via de regra as comissões são distribuídas de acordo com o tamanho das bancadas, com os maiores partidos tendo a preferência no momento de escolher os colegiados.

O ministro Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais) diz que há uma expectativa do governo de que quem assumir presidências de comissões atue como o cargo exige, sem usar o espaço para "lacração na internet".

"Qual a expectativa que nós temos? Que quem venha a assumir presidências de comissões seja presidente de um colegiado, queira fazer esse colegiado andar, funcionar, aprovar temas e não usar ele como espaço de beligerância, de paralisação", diz Padilha.

Segundo relatos, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), tem afirmado em conversas reservadas que Eduardo terá um posto de destaque nas relações internacionais, independentemente de críticas da esquerda.

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Outra alternativa citada é que ele comande a Secretaria de Relações Internacionais da Câmara, já que não precisaria de votos dos parlamentares para ser eleito, mas uma designação do atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Deputados do PL também têm interesse nos colegiados de Segurança Pública e de Fiscalização Financeira e Controle, que têm o poder de convocar todos os ministros de Estado para prestar esclarecimentos e foi usado em 2023 pela oposição para desgastar o Executivo.

Para a de Segurança, é lembrado o nome de Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor-geral da Abin no governo Bolsonaro.

O PT, por sua vez, quer a comissão de Educação da Câmara, que no ano passado foi comandada pelo bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG). Para a Comissão do Senado, o partido já garantiu a indicação da senadora Teresa Leitão (PE).

Na Câmara, ainda há um impasse sobre quem chefiará a CCJ, por onde tramitam todos os projetos de lei. Ainda na presidência de Arthur Lira (PP-AL) foi firmado um acordo que envolve um rodízio das maiores bancadas no posto e em cargo de relator ou presidente da CMO (Comissão Mista de Orçamento). Neste ano, União Brasil e MDB ocuparão essas cadeiras, mas ainda não há definição de qual partido ficará com qual colegiado.

No Senado, para alívio do governo, a CCJ ficará com o veterano Otto Alencar (PSD-BA), aliado de primeira hora do Palácio do Planalto. Já Renan Calheiros (MDB-AL) deve ficar com a segunda principal comissão, a de Assuntos Econômicos. A atuação dos dois é apontada por líderes inclusive como eventual contraponto a Alcolumbre.

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