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Orçamento de 2027 prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos, alta de R$ 23 bilhões

Proposta enviada ao Congresso amplia recursos para infraestrutura, habitação e Novo PAC, mas valores ainda podem mudar durante a tramitação e não significam execução automática das despesas

Vitória News 02/09/2026 09:07
Orçamento de 2027 prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos, alta de R$ 23 bilhões
Foto: Fernando Frazão/ABr

O governo federal prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos no Orçamento de 2027, um aumento de R$ 23 bilhões em relação aos R$ 110,8 bilhões programados para 2026.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os valores constam do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), encaminhado ao Congresso Nacional na segunda-feira (31). A proposta amplia os recursos destinados a obras de infraestrutura, aquisição de equipamentos, habitação e projetos considerados prioritários pelo governo.

O montante, porém, representa uma previsão orçamentária. O projeto ainda será analisado por deputados e senadores e poderá sofrer alterações antes da aprovação definitiva. Além disso, parte significativa dos investimentos integra as despesas discricionárias, cuja execução pode ser ajustada ao longo do ano conforme a situação fiscal e financeira do governo.

Do total previsto para 2027, R$ 87,9 bilhões correspondem a investimentos classificados como despesas primárias. Outros R$ 45,9 bilhões aparecem como inversões financeiras, categoria que inclui operações como aportes e subsídios destinados a determinados programas públicos.

Investimentos ficam R$ 45,1 bilhões acima do piso fiscal

O arcabouço fiscal estabelece para 2027 um piso de R$ 88,7 bilhões em investimentos, equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto.

Com R$ 133,8 bilhões previstos no projeto, o volume total fica R$ 45,1 bilhões acima desse patamar mínimo.

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O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a proposta amplia a capacidade de investimento público, embora reconheça que o espaço ainda é inferior ao considerado necessário para acelerar a expansão da economia.

Na avaliação do governo, investimentos públicos podem ampliar a capacidade produtiva do país e gerar efeitos sobre infraestrutura, emprego e atividade econômica.

Novo PAC terá R$ 61,5 bilhões

O Novo Programa de Aceleração do Crescimento deverá concentrar R$ 61,5 bilhões dos investimentos previstos para 2027, considerando despesas primárias e financeiras.

Entre as áreas contempladas estão transporte, habitação, energia, infraestrutura urbana e prevenção de desastres.

O Minha Casa, Minha Vida aparece com R$ 8,25 bilhões previstos no orçamento do programa.

Para transporte coletivo urbano, a proposta reserva R$ 1,19 bilhão.

Outros R$ 667,2 milhões estão destinados a projetos de drenagem e prevenção de inundações, área que ganhou maior relevância diante da recorrência de eventos climáticos extremos e dos prejuízos provocados por enchentes em diferentes regiões do país.

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Despesas obrigatórias ainda consomem maior parte do orçamento

Um dos desafios para ampliar investimentos públicos é o peso das despesas obrigatórias, aquelas que o governo não pode simplesmente deixar de pagar.

Segundo as projeções apresentadas com o PLOA, essas despesas deverão representar 17,3% do PIB em 2027, ante 17,5% na estimativa anterior.

Também há previsão de redução da participação dos gastos obrigatórios dentro das despesas primárias totais, de 92,4% para 91,7%.

Entre os componentes com redução proporcional estão gastos com pessoal, benefícios previdenciários, sentenças judiciais e outras despesas obrigatórias submetidas a controle de fluxo.

Por outro lado, o orçamento passa a incorporar recursos destinados ao novo Fundo de Compensação a Estados e Municípios, criado no contexto da reforma tributária.

Arcabouço limita crescimento dos gastos

A expansão dos investimentos precisa respeitar as regras fiscais em vigor.

O arcabouço permite que as despesas cresçam anualmente dentro de limites relacionados à inflação e ao desempenho das receitas, com teto de crescimento real de 2,5%.

Como grande parte das despesas obrigatórias possui pouca margem para redução imediata, os investimentos e demais gastos discricionários acabam sendo uma das principais variáveis utilizadas pelo governo para compatibilizar políticas públicas com o cumprimento das metas fiscais.

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Orçamento ainda passará pelo Congresso

Os R$ 133,8 bilhões previstos não representam, portanto, dinheiro já contratado ou obras garantidas.

O PLOA passará pela Comissão Mista de Orçamento e pelo plenário do Congresso, onde parlamentares poderão modificar valores e incluir emendas.

Depois da aprovação legislativa, o texto ainda será enviado para sanção presidencial.

Mesmo após a entrada em vigor do Orçamento de 2027, a execução das despesas dependerá da arrecadação, do cumprimento das regras fiscais e da programação financeira estabelecida pelo governo ao longo do ano.

Principais números do PLOA 2027

Investimentos totais: R$ 133,8 bilhões

Investimentos primários: R$ 87,9 bilhões

Inversões financeiras: R$ 45,9 bilhões

Novo PAC: R$ 61,5 bilhões

Minha Casa, Minha Vida: R$ 8,25 bilhões

Transporte coletivo urbano: R$ 1,19 bilhão

Drenagem e prevenção de inundações: R$ 667,2 milhões

Piso de investimentos determinado pelo arcabouço fiscal: R$ 88,7 bilhões

Previsão de investimentos no Orçamento de 2026: R$ 110,8 bilhões

Fonte: Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 e Ministério do Planejamento e Orçamento, com informações da Agência Brasil.

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