Ação no norte de Minas fecha exploração ativa há 20 anos e revela impactos em nascentes e comunidades tradicionais
Uma operação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Polícia Federal desarticulou um garimpo ilegal de quartzo que atuava há cerca de duas décadas no norte de Minas Gerais, deixando um rastro de degradação ambiental em área sensível do Cerrado.
A ação ocorreu em Vargem Grande do Rio Pardo e teve como alvo uma atividade instalada na zona de amortecimento da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Nascentes Geraizeiras. Segundo as investigações, a exploração provocou cerca de 90 hectares de danos ambientais.
Como resultado, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 6,4 milhões em bens do investigado. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo, sequestro de bens e prisão preventiva.
Durante a operação, 38 equipamentos utilizados no garimpo foram apreendidos e retirados da área, o que impede a retomada imediata da atividade.
Pressão sobre áreas protegidas
O garimpo funcionava na cabeceira da comunidade de Furnas, região de nascentes que abastecem moradores locais. A área integra território tradicional geraizeiro e foi criada para proteger o Cerrado, os recursos hídricos e o modo de vida das populações locais.
A presença da mineração na região não é recente. Fiscalizações vêm sendo realizadas desde 2016, com registros de autuações, embargos e paralisações por ausência de licenciamento adequado. Mesmo após obter licença em 2023, a atividade continuou apresentando irregularidades, incluindo descumprimento de condicionantes e exploração fora das áreas autorizadas.
Impactos ambientais e sociais
Os efeitos da exploração são visíveis na paisagem. A retirada de vegetação e solo desencadeou processos erosivos e o transporte de sedimentos para cursos d’água que abastecem comunidades da região.
Também foram identificados impactos sobre a fauna, com alteração de habitats e deslocamento de espécies, além do comprometimento de ecossistemas ligados às nascentes.
A atividade ainda afetou diretamente o território geraizeiro. A instalação do empreendimento ocorreu sem consulta prévia à comunidade local, procedimento previsto em normas internacionais, e comprometeu práticas tradicionais, como a coleta de frutos e a criação extensiva de animais.
Desafios
A atuação em áreas remotas continua sendo um desafio para os órgãos ambientais. A limitação de equipes e as dificuldades logísticas dificultam a retirada de equipamentos e o controle permanente da atividade ilegal.
Mesmo assim, a operação interrompe um ciclo de exploração que se estendia por décadas e evidencia a pressão constante sobre áreas protegidas no norte de Minas, onde atividades irregulares seguem avançando sobre territórios ambientalmente sensíveis.