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Operação Crédito Oculto chega a Vila Velha em investigação sobre lavagem no setor de combustíveis

Mandado no Espírito Santo integra ofensiva em sete estados contra estrutura financeira suspeita de ocultar patrimônio e origem de recursos

Vitória News 24/09/2026 09:14
Operação Crédito Oculto chega a Vila Velha em investigação sobre lavagem no setor de combustíveis
Foto: Receita Federal/Divulgação

Vila Velha está entre as cidades alcançadas nesta quinta-feira (24) pela Operação Crédito Oculto, nova etapa das investigações sobre estruturas financeiras utilizadas para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

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No Espírito Santo, um endereço é alvo das diligências. A operação também cumpre medidas em São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Ao todo, a ação envolve endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas.

A Receita Federal não detalhou, até o momento, a identidade do alvo localizado no Espírito Santo nem informou qual seria sua participação específica no esquema investigado.

A operação é um desdobramento da Carbono Oculto e busca esclarecer como estruturas empresariais e financeiras teriam sido utilizadas inicialmente para esconder os verdadeiros controladores de uma usina sucroalcooleira e, posteriormente, viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

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Segundo a investigação, fundos de investimento, fintechs, holdings, empresas patrimoniais, companhias de fachada, um escritório de advocacia e uma instituição bancária teriam desempenhado diferentes funções na movimentação e na tentativa de afastar os recursos de seus verdadeiros beneficiários.

Uma das operações analisadas envolve aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios de uma usina. Os investigadores apontam que parte dos recursos utilizados teria circulado entre fundos ligados ao mesmo grupo, criando um fluxo financeiro que conferia aparência regular às transações e dificultava a identificação dos beneficiários finais.

Outra frente da apuração concentra-se na compra de uma grande distribuidora de combustíveis. De acordo com a Receita Federal, uma usina teria recebido R$ 100 milhões enviados pela organização investigada para financiar a aquisição.

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O dinheiro teria passado, em poucos minutos, por diferentes contas de empresas vinculadas ao grupo e por estruturas mantidas em fintechs antes de chegar à usina. Na sequência, os recursos teriam sido aportados em um fundo criado especificamente para a operação.

A investigação também identificou o uso de certificado de depósito bancário vinculado e de cédulas de crédito emitidas para empresas consideradas de fachada. Para os investigadores, a sequência de operações teria servido para aumentar a distância entre a origem do dinheiro e os beneficiários da compra da distribuidora.

Fundos imobiliários também aparecem na apuração. Imóveis ligados aos investigados teriam sido transferidos para empresas patrimoniais e posteriormente incorporados a fundos, mantendo os bens sob controle econômico do grupo sem que permanecessem diretamente registrados em nome dos envolvidos.

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Outro dado que chamou a atenção dos investigadores é o volume movimentado por uma das empresas financeiras envolvidas na estrutura. Segundo a Receita, a companhia movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.

Para o Fisco, o conjunto dos elementos indica a existência de estruturas sobrepostas de ocultação de patrimônio e dissimulação da origem dos recursos, com participação de operadores do mercado financeiro.

A Operação Crédito Oculto é realizada pela Receita Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de São Paulo, com participação de órgãos estaduais e apoio dos Gaecos dos estados onde são cumpridas as medidas, entre eles o Espírito Santo.

A maior concentração de alvos está em São Paulo. Nos demais estados, incluindo o Espírito Santo, há uma diligência em cada unidade da Federação alcançada pela operação.

A investigação continua e a existência de mandados de busca e apreensão não representa, por si só, condenação ou comprovação definitiva das suspeitas levantadas pelos investigadores.


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