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Oficiais da PMES querem equiparação salarial a delegados

Vitória News 10/10/2025 07:51

A Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo (Assomes) convocou seus associados — coronéis, tenentes-coronéis e majores da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar — para uma reunião que discutirá os efeitos da Lei nº 317/2025, recentemente aprovada pela Assembleia Legislativa. A norma, de autoria do Governo do Estado, concede reajuste ao soldo básico dos delegados de Polícia Civil. O encontro será realizado no dia 15 de outubro, às 14 horas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo o presidente da Assomes, coronel José Augusto Piccoli de Almeida, a categoria não é contrária à valorização dos delegados, mas avalia que a nova lei quebrou a harmonia salarial entre as forças de segurança do Estado.

O coronel recorda que, em 2013, durante o primeiro mandato do governador Renato Casagrande (PSB), houve um acordo que corrigiu o desnível existente na época, quando os delegados recebiam remuneração superior aos oficiais da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES).
“Nós tivemos uma pacificação na questão do nivelamento”, afirmou. “Agora, o governador enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que alterou novamente a tabela salarial dos delegados”, explicou.

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José Augusto ressaltou que os oficiais não pretendem interferir nos direitos de outras categorias do funcionalismo público.
“Nós, oficiais da PM, nunca vamos interferir no direito de outra categoria e de outra carreira do Estado”, declarou.

Segundo ele, o objetivo da reunião é abrir um canal de diálogo com o Governo para tratar das distorções geradas pela nova legislação, que, segundo o coronel, “quebra um paradigma mantido há mais de 12 anos”.

Assembleia geral extraordinária

No Edital de Convocação da Assembleia Geral Extraordinária, já publicado, a ordem do dia define como pauta a “Análise e encaminhamentos realizados pela Assomes relativos à Lei 317/2025 (originada do Projeto de Lei 679/2025), que altera a tabela de subsídios dos Delegados de Polícia Civil”.

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De acordo com o presidente da Assomes, durante o encontro será apresentado aos associados o posicionamento da entidade.
“Essa medida adotada pelo Governo do Estado foi injusta, desproporcional e está provocando um clima institucional de ruptura muito grande entre os oficiais, que são os comandantes da corporação”, afirmou.

Ele destacou ainda que a categoria não é contrária à concessão de benefícios a outras carreiras, mas defende a manutenção do equilíbrio interno dentro das forças de segurança.

Em nota pública divulgada nas redes sociais da Assomes, a associação declarou que “a concessão de reajustes salariais exclusivos a apenas uma categoria — em detrimento das demais — rompe com a necessária simetria que deve nortear o tratamento entre carreiras que, juntas, constroem os avanços na segurança pública. Tal prática gera descontentamento e insatisfação, representando ato de desrespeito e discriminação para com os diversos atores da Segurança Pública.”

Diferença salarial

A Lei nº 317/2025, aprovada em votação simbólica na Assembleia Legislativa na última terça-feira (7), garante reajustes escalonados aos delegados de Polícia Civil, com aumento imediato neste mês e novos acréscimos em dezembro de 2025 e dezembro de 2026. O benefício alcança todas as classes — 3ª, 2ª, 1ª e especial — em seus 15 níveis.

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Com a mudança, o delegado especial nível 1 passa a receber R$ 25.595,05 de soldo básico, enquanto o nível 15 chega a R$ 33.772,12, sem considerar gratificações.

Já o coronel da PM também possui 15 referências salariais, que variam de R$ 24.228,12 (inicial) a R$ 31.968,48 (nível máximo), conforme dados da Transparência do Governo do Espírito Santo. À remuneração somam-se benefícios como auxílio-alimentação de R$ 800, gratificações de função e valores por escala de serviço extra.

José Augusto lembrou que um oficial leva mais de 30 anos de carreira para atingir o topo da tabela e argumentou que a distorção criada pela nova lei é injusta e discriminatória.
“A Polícia Militar é uma instituição com 190 anos de existência, estruturada de forma piramidal. Quebrar a harmonia salarial dentro da mesma pasta da segurança pública é criar distinções que ferem a equidade entre as corporações”, afirmou.

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