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O que está por trás da escolha de Gilberto Kassab como vice de Caiado

Estadão Conteúdo 01/07/2026 17:45

A indicação de Gilberto Kassab para compor a chapa presidencial do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado é tratada dentro do PSD como uma tentativa de fortalecer a articulação política da campanha.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A avaliação interna é que o presidente da legenda, agora pré-candidato a vice-presidente, poderá usar sua influência para consolidar os palanques estaduais de Caiado. Ao mesmo tempo, manterá aberta a possibilidade de uma composição com outro partido.

Um aliado próximo de Kassab ressalta que a indicação teve motivação política, e não eleitoral, já que o dirigente não é visto como alguém capaz de agregar votos. A missão de Kassab será principalmente costurar os palanques estaduais da chapa, sobretudo no Nordeste, onde parte da sigla sinaliza apoio ao presidente Lula (PT).

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) tem dito que tem autonomia para escolher o caminho do partido no Estado. Ela tentou convencer o PT a apoiá-la e ter palanque duplo no Estado, mas Lula acabou declarando apoio a João Campos (PSB). Apesar disso, a governadora deve seguir fazendo acenos ao presidente e destacando entregas feitas em parceria com o governo federal.

SESC PICASSO

Na Bahia, o PSD apoiará a reeleição de Lula. Horas após o anúncio que Kassab seria o vice, o senador Otto Alencar participou de um evento com o presidente da República e disse que segue fiel ao petista. Alencar comanda o PSD baiano.

Nos bastidores, a avaliação é que a presença de Kassab na chapa, além de dar respaldo partidário à candidatura de Caiado, aumenta a pressão sobre correligionários que resistem a apoiá-lo em alguns Estados. Isto é, com Kassab na chapa, candidatos do partido que flertam com outros presidenciáveis terão de reavaliar a estratégia, visto que deixar de subir no palanque de Caiado passará a significar também rejeitar dar palanque ao próprio presidente da sigla.

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Em conversa com jornalistas nesta quarta-feira, 1º, Kassab afirmou que não há crise na campanha de Caiado pela ausência de palanques de governadores estaduais do PSD e que o partido respeitará as circunstâncias locais. Ele citou a necessidade de o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, construir sua própria candidatura ao governo fluminense e declarou torcer pela reeleição da governadora Raquel Lyra, cujo nome, segundo ele, será incorporado à campanha presidencial.

Outra interpretação é que a indicação de Kassab mantém aberta a possibilidade de uma composição com outro partido. Como presidente nacional do PSD, Kassab não representaria um obstáculo caso a legenda decidisse negociar a vaga de vice. Os partidos têm até 15 de agosto para registrar os candidatos na Justiça Eleitoral.

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Integrantes da campanha têm dito que novos desdobramentos do Caso Master podem provocar uma reviravolta na corrida eleitoral, enfraquecendo - ou até inviabilizando - a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje o nome da oposição mais bem colocado nas pesquisas. Nesse contexto, poderia ganhar força a hipótese de uma composição entre PSD e PL, por exemplo.

Há uma última avaliação, compartilhada tanto dentro quanto fora do PSD, de que Kassab, por ter boa interlocução junto ao empresariado, poderá contribuir para ampliar a arrecadação da campanha de Caiado. Segundo apurou o Estadão, Kassab já afirmou a correligionários que o partido pretende investir boa parte de seus recursos na eleição para a Câmara, visto que o cálculo de distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral leva em consideração os votos para a Câmara.

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