Por Marcelo Rossoni
A pouco mais de uma semana do início das convenções partidárias, a disputa pelas duas vagas do Espírito Santo no Senado Federal continua sem um desenho definitivo. As negociações avançam nos bastidores, mas tanto os partidos de direita quanto as legendas de esquerda ainda convivem com divergências internas que impedem a consolidação das chapas.
No campo conservador, as atenções estão voltadas para a aliança que busca viabilizar a candidatura do ex-prefeito de Vitória, delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos), ao Governo do Estado. A expectativa é de que Republicanos, PSD e PL caminhem juntos na eleição majoritária, embora a definição dos nomes para o Senado permaneça cercada de negociações.
No início das articulações, quatro nomes apareciam como possíveis candidatos: o deputado estadual Sérgio Meneguelli (PSD), o ex-deputado federal Carlos Manato (Republicanos), o vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo) e Maguinha Malta (PL), filha do senador Magno Malta.
Com o avanço das conversas, o cenário mudou. Nos bastidores, a avaliação predominante é de que Maguinha Malta deverá ocupar uma das vagas ao Senado como parte do entendimento político para a adesão do PL ao projeto liderado por Pazolini. A segunda vaga passou a ser disputada principalmente por Sérgio Meneguelli e Carlos Manato.
Embora Meneguelli mantenha publicamente sua disposição de concorrer e afirme contar com o apoio do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, interlocutores envolvidos nas negociações admitem que sua candidatura ainda enfrenta resistências dentro da própria aliança. Já Carlos Manato ganhou espaço nas últimas semanas e passou a ser visto como um nome cada vez mais competitivo na composição da chapa.
Leonardo Monjardim, por sua vez, deverá permanecer na disputa representando exclusivamente o Novo. A direção estadual do partido reafirma que sua candidatura será mantida, independentemente das decisões tomadas pelos demais partidos do campo conservador.
No bloco de esquerda, o principal impasse envolve a pré-candidatura do professor Carlos Fabian (Psol). O partido insiste em manter candidatura própria ao Senado, mas enfrenta divergências com a Rede Sustentabilidade, legenda com a qual forma federação desde 2022.
Enquanto a Rede defende a continuidade da aliança construída durante o governo Renato Casagrande (PSB) e pretende apoiar o projeto de Ricardo Ferraço (MDB) ao Palácio Anchieta, o Psol considera essa composição incompatível com sua orientação política e rejeita participar de um palanque liderado pelo MDB.
A consequência é um impasse dentro da própria federação. A Rede trabalha para construir uma aliança com Casagrande e Ricardo Ferraço, enquanto o Psol mantém a defesa da candidatura de Carlos Fabian ao Senado e manifesta apoio à reeleição do senador delegado Fabiano Contarato (PT) e à candidatura do deputado federal Helder Salomão (PT) ao Governo do Estado.
As dificuldades aumentam porque a Federação Brasil da Esperança, integrada por PT, PV e PCdoB, decidiu concentrar seus esforços na candidatura do delegado Fabiano Contarato ao Senado. Ao mesmo tempo, dirigentes das três legendas já manifestaram disposição de apoiar politicamente Renato Casagrande para a segunda vaga em disputa, ainda que não exista uma coligação formal entre os grupos.
Há, porém, um componente que mantém o cenário ainda mais imprevisível. O ex-governador Paulo Hartung (PSD) nunca anunciou que pretende disputar as eleições deste ano, mas também jamais afirmou que está fora da corrida eleitoral. Nos últimos meses, intensificou sua agenda de encontros em diversas regiões do Espírito Santo, reunindo-se com lideranças políticas, empresários e representantes de diferentes segmentos da sociedade.
Esse movimento é acompanhado atentamente pelos principais atores políticos. Com três mandatos como governador e reconhecida capacidade de articulação, Hartung continua sendo citado nas conversas de bastidores sempre que se discutem as chapas para o Governo do Estado e para o Senado. Enquanto não houver uma definição sobre seu futuro político, seu nome continuará influenciando as negociações e alimentando especulações.
Com a proximidade das convenções partidárias, o tabuleiro eleitoral capixaba permanece aberto. As primeiras definições deverão surgir a partir de 20 de julho, quando os partidos iniciarão a oficialização de seus candidatos. Até o encerramento das convenções, em 5 de agosto, ainda haverá espaço para mudanças de última hora capazes de alterar a composição das chapas e o rumo da disputa pelas duas vagas do Espírito Santo no Senado Federal.
Marcelo Rossoni é jornalista, técnico em Contabilidade e graduado em Administração de Empresas