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Economia

Negociação individual é fim do multilateralismo, diz Lula sobre tarifaço

Vitória News 10/04/2025 07:28

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou nesta quarta-feira (9) sua preocupação com as decisões unilaterais dos Estados Unidos, que impuseram tarifas sobre produtos de todos os seus parceiros comerciais. Lula alertou para os possíveis efeitos devastadores dessa política na economia global, questionando os impactos dessas ações sobre os preços dos produtos e a dinâmica das relações multilaterais.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em entrevista concedida após sua participação na Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), em Tegucigalpa, capital de Honduras, o presidente brasileiro enfatizou que a imposição de tarifas pelos Estados Unidos pode ter consequências severas para a economia mundial. “Nós não sabemos qual vai ser o efeito devastador disso na economia. É preciso saber quanto vai custar isso do ponto de vista do preço dos produtos, da relação multilateral”, afirmou Lula.

A crítica do presidente brasileiro se concentrou na recente decisão do governo dos Estados Unidos, que aumentou as tarifas contra a China e, simultaneamente, reduziu as cobranças adicionais para outros 75 países. Para Lula, essa postura reflete um confronto direto com o governo chinês e coloca em risco a sustentabilidade do multilateralismo, o equilíbrio nas relações internacionais e a cooperação entre as nações.

“Me parece que tá ficando cada vez mais visível que é uma briga pessoal [de Trump] com a China. Ora, querer fazer negociação individual é colocar fim no multilateralismo. E o multilateralismo é muito importante para a tranquilidade econômica que o mundo precisa. Não é aceitável a hegemonia de um país, nem militar, nem cultural, nem industrial, nem tecnológica e nem econômica sobre os outros”, ressaltou o presidente.

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Em seu discurso durante a Cúpula, Lula já havia reprovado a adoção de tarifas unilaterais, argumentando que esse tipo de abordagem fere os princípios da cooperação internacional e fragiliza a estabilidade econômica global.

Brasil manterá reciprocidade em caso de tarifas persistentes

Em relação à postura do Brasil diante dessa pressão externa, Lula afirmou que o governo brasileiro adotará uma postura de reciprocidade, caso as tarifas unilaterais sejam mantidas após as negociações. "Vamos utilizar todas as palavras de negociação que o dicionário permitir. Depois que acabar, nós vamos tomar as decisões que entendermos serem cabíveis", afirmou o presidente, deixando claro que o Brasil tomará as medidas necessárias para proteger seus interesses econômicos.

Críticas à tentativa de veto na Cúpula da Celac

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Além das discussões sobre o comércio internacional, o presidente Lula também se manifestou sobre a tentativa de alguns países de barrar a aprovação da declaração final na Cúpula da Celac. Durante a reunião de chefes de Estado e de governo, as delegações do Paraguai e da Argentina tentaram vetar o texto final, mas o documento foi aprovado com a ressalva de que esses países se mostraram contrários à sua aprovação.

Lula criticou a postura dos países que buscaram vetar o consenso, defendendo que o processo de tomada de decisões não deve ser dominado por um único país. "É muito importante que a gente distribua sempre a ideia do consenso, mas o consenso não pode ser o direito de veto. Você não pode ter 40 países e um só decidir que não gosta de alguma coisa e não assinar um documento. É melhor você assinar o documento e colocar no rodapé que tal país não quis assinar. É mais democrático e as coisas andam, evoluem", argumentou o presidente.

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