Os municípios brasileiros gastaram R$ 3,6 bilhões em 2024 com a manutenção de estradas vicinais, mas receberam apenas R$ 371 milhões da União para custear esses serviços. Os dados fazem parte de um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que alerta para o desequilíbrio entre a responsabilidade local e o apoio federal.
Custo desigual
Segundo a CNM, as estradas vicinais — que somam mais de 1,6 milhão de quilômetros e são essenciais para o escoamento da produção agrícola e o transporte escolar — estão sob responsabilidade das prefeituras, mesmo sendo parte de uma malha que serve a todo o país.
O estudo indica que, nos últimos cinco anos, as despesas municipais com obras e manutenção mais do que dobraram, enquanto os repasses federais permaneceram praticamente estáveis. A diferença de recursos tem levado muitos prefeitos a adiar obras e priorizar apenas os trechos em piores condições.
Impactos na economia local
As más condições das vias rurais afetam diretamente a logística agrícola e o transporte de alunos, encarecendo o frete e dificultando o acesso a escolas, postos de saúde e centros urbanos. Em estados com forte produção agropecuária, como Mato Grosso, Goiás e Bahia, o problema é ainda mais grave.
Reivindicação de apoio federal
A CNM defende a criação de um programa permanente de financiamento federal para estradas vicinais, com repasses diretos aos municípios e critérios técnicos de distribuição. Segundo a entidade, o investimento constante é essencial para garantir segurança, mobilidade e desenvolvimento no meio rural.