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Política

MST diz que ministro Paulo Teixeira passou do limite e cobra demissão por Lula

FolhaPress 29/05/2025 10:27

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Líderes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) afirmam que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, mostrou ao longo de dois anos e quase seis meses de governo que não está à altura dos desafios do cargo e pedem sua demissão por Lula (PT).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Eles pretendem aumentar a pressão sobre o governo pela substituição de Teixeira. O presidente e o ministro se encontrarão nesta quinta-feira (29) com membros do MST em assentamento no Paraná, onde deverão ouvir cobranças.

Teixeira disse à reportagem que fica surpreso com as observações de líderes do MST, que tem se encontrado regularmente com representantes do grupo e que todas as metas de sua pasta estão em dia.

Os sem-terra e o governo têm tido relação cada vez mais tensa desde o começo de 2023. No primeiro ano do mandato de Lula, diante da constatação de que o governo Jair Bolsonaro (PL) havia desestruturado as ações voltadas à reforma agrária, o MST teve atitude mais tolerante em relação à gestão que havia ajudado a eleger.

No entanto, os desentendimentos ganharam força a partir de 2024, com cobranças por mais assentamentos e aumento do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) da agricultura familiar. O ministro apontava dificuldades orçamentárias herdadas do período bolsonarista.

Jaime Amorim, membro da direção nacional e militante histórico do MST, afirma que os sem-terra não veem mais propósito em dialogar com Teixeira após seguidas cobranças sem resultado efetivo, na visão deles.

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Na última semana, o próprio Amorim decidiu não se encontrar com o ministro em Petrolina (PE), para, segundo ele, não legitimar a aparência de normalidade nas relações com os movimentos do campo que o ministro tenta transmitir. Ele afirma que a atitude deve se tornar tendência no próximo período.

Amorim define o ministro, deputado licenciado pelo PT, como um dos "melhores parlamentares do país", mas que, em sua avaliação, "não entende de reforma agrária e não tem interesse em realizá-la".

Um dos principais desentendimentos do MST com o ministro está relacionado ao número de assentamentos e ao ritmo da reforma agrária.

Os sem-terra criticam a inclusão de famílias em processos de regularização ou reconhecimento de posse nas estatísticas de criação de assentamentos e dizem que só deveriam ser contabilizados os acampados que ganharam terras novas.

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"Eles ficam falsificando números, criando uma lógica que qualquer um que conhece um pouco da nossa área sabe que não condiz com a realidade", afirma Amorim. "Eu estive em reuniões com o Lula, e ele [Teixeira] fala sempre a mesma coisa (...) Parece que a principal qualidade da equipe dele é criar números que não são reais", completa.

No fim de 2024, o ministério anunciou que 71.414 famílias haviam sido assentadas naquele ano. O MST contestou os dados, inclusive em reunião com o presidente. A crítica foi incorporada pela pasta, que passou a divulgar separadamente os dados de novos assentamentos.

Ainda assim, os sem-terra criticam os números divulgados e afirmam que parte desses novos assentamentos não tiveram seus processos de regularização integralmente concluídos —o que significa que seus moradores, por exemplo, não podem aderir a programas de crédito.

Teixeira também é criticado pelos sem-terra pelo que eles enxergam como dificuldades em brigar por mais recursos no Orçamento para a reforma agrária.

"O ministro não é parceiro porque ele não coloca no Orçamento a necessidade real do processo", avalia Amorim.

"Há falta de recursos no governo para a reforma agrária. E o ministro sempre tenta desqualificar, inclusive, frente ao presidente. Dizendo que não tem problema de verba, que não tem problema de estrutura. E, na verdade, a reforma agrária continua praticamente paralisada (...) Já deu. Nessa discussão da reforma agrária ele não conseguiu efetivamente se colocar e alcançar [as metas]", afirma.

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Teixeira diz que trabalha duro para o cumprimento das metas, que ele diz estarem em dia, e que mantém diálogo constante com os sem-terra. Ele destaca que, inclusive, absorveu as críticas do MST em relação aos dados da reforma agrária e que hoje pode dizer que o ritmo de novos assentamentos segue conforme o que foi prometido pelo governo.

"Quando lançamos o programa Terra da Gente, nos comprometemos com 60 mil famílias [assentadas]. Neste ano, a meta é 30 mil novos assentamentos. Entregamos 15 mil, estamos no quinto mês, indo para o sexto. Metade da meta, na metade do ano", afirma o ministro, que também enviou à reportagem um jornal lançado pelo ministério que lista individualmente todos os novos assentamentos, divididos por nome, endereço, tamanho e município.

O ministro ainda destaca que em março anunciou R$ 1,6 bilhão em crédito instalação (direcionado a famílias assentadas da reforma agrária) e em abril lançou edital de R$ 1 bilhão para o PAA. Ele também aponta a retomada do Pronera, programa nacional de educação na reforma agrária, que era uma demanda do próprio MST, com 15 turmas em 2023 e mais 22 em 2024.

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