Setor prevê US$ 76,9 bilhões em aportes até 2030, com avanço de projetos ligados à transição energética e aumento dos investimentos socioambientais
A crescente demanda mundial por minerais utilizados em baterias, geração de energia renovável e novas tecnologias está abrindo uma nova frente de investimentos na mineração brasileira.
A previsão do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) é de US$ 76,9 bilhões em aportes no setor entre 2026 e 2030. Parte relevante dos recursos será destinada a minerais considerados críticos e estratégicos, como cobre, níquel, lítio, nióbio e terras raras.
Esses materiais ganharam importância com a expansão de tecnologias necessárias à transição energética. Baterias para veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia, turbinas, equipamentos eletrônicos e ímãs permanentes estão entre as aplicações que dependem dessas matérias-primas.
A carteira prevista para minerais críticos chega a US$ 21,3 bilhões até 2030, aproximadamente 28% de todo o investimento projetado para a mineração brasileira no período.
Investimentos socioambientais crescem
A expansão da atividade também aumenta a necessidade de investimentos destinados à redução dos impactos da mineração.
Entre os recursos previstos até 2030, US$ 14,7 bilhões estão relacionados a projetos socioambientais, valor 29,7% superior à estimativa do ciclo anterior.
Os aportes incluem iniciativas associadas à gestão ambiental, segurança das operações, recuperação de áreas, relacionamento com comunidades e outras medidas necessárias à sustentabilidade do setor.
A ampliação dessa parcela ganha relevância porque a mineração ocupa uma posição particular na transição para uma economia de baixo carbono: ao mesmo tempo em que fornece matérias-primas fundamentais para tecnologias mais limpas, a atividade possui impactos ambientais que precisam ser controlados durante toda a vida útil dos projetos.
Minério de ferro ainda lidera
Apesar do avanço dos minerais críticos, o minério de ferro continua concentrando a maior parcela dos investimentos previstos, com aproximadamente US$ 19,8 bilhões até 2030.
Na sequência aparecem os projetos socioambientais, com US$ 14,7 bilhões, e os investimentos em logística, que somam cerca de US$ 11,3 bilhões.
Entre os minerais ligados às novas cadeias produtivas, o cobre concentra US$ 8,6 bilhões. Também estão previstos aportes em níquel, terras raras, lítio, nióbio, grafita e outros minerais considerados estratégicos.
Minas Gerais receberá a maior parcela dos investimentos previstos no país, com US$ 19,7 bilhões, equivalentes a 25,6% do total. O Pará aparece em seguida, com US$ 14,7 bilhões, ou 19,1%, e a Bahia deverá receber US$ 11,7 bilhões, representando 15,2%.
Expansão exige infraestrutura
O volume de novos projetos também aumenta a demanda por infraestrutura nas regiões mineradoras.
Além das estruturas definitivas, operações em implantação ou expansão precisam de áreas de armazenamento, manutenção, apoio logístico e proteção de equipamentos e insumos.
Nesse cenário, soluções construtivas flexíveis começam a ser incorporadas ao planejamento das empresas para atender demandas temporárias ou mudanças na capacidade das operações.
Segundo Sergio Gallucci, diretor Comercial e de Marketing da Tópico, fornecedora de estruturas modulares, os projetos de mineração exigem respostas rápidas de infraestrutura porque muitas operações não podem aguardar os prazos tradicionais de construção.
Os galpões modulares podem ser instalados em períodos menores e posteriormente ampliados, reduzidos ou transferidos conforme as necessidades de cada empreendimento.
A utilização desse tipo de estrutura não substitui obras permanentes, mas pode funcionar como complemento em diferentes etapas de implantação e operação dos projetos.
Transição energética amplia demanda por minerais
A corrida internacional por minerais críticos ganhou força com a expansão das políticas de descarbonização e com a reorganização das cadeias globais de fornecimento.
O Brasil possui reservas relevantes de diferentes minerais demandados por essas novas tecnologias, o que amplia seu potencial de participação na cadeia internacional da transição energética.
O desafio será conciliar esse crescimento com padrões ambientais mais rigorosos, eficiência na utilização dos recursos naturais, recuperação das áreas exploradas e geração de benefícios para as comunidades atingidas pelas atividades minerais.
Nesse contexto, o aumento dos investimentos não deverá ser medido apenas pela capacidade de produzir mais minerais. A sustentabilidade dos novos projetos e a forma como esses recursos serão incorporados à transição energética também serão determinantes para definir o papel da mineração brasileira nas próximas décadas.
Fonte: Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), com informações da Tópico