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Política

Milei não pode 'atacar as instituições brasileiras', diz presidente do PT a jornal argentino

Estadão Conteúdo 31/07/2026 11:39

O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o presidente da Argentina, Javier Milei, "não pode vir ao Brasil e atacar as instituições brasileiras". A declaração foi dada em entrevista ao jornal argentino La Nación. No último sábado, 25, Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "presidiário" e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca", em convenção do PL.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na entrevista ao La Nación publicada nesta quinta-feira, 30, Edinho afirmou que Milei é chefe de governo e "não pode confundir suas funções com as de um ativista político".

Também disse que o Brasil quer apurar a origem dos recursos usados pelo presidente argentino na viagem a São Paulo. Segundo ele, caso fique comprovado o uso de dinheiro público, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência pode ser cassada. "A lei brasileira proíbe interferência estrangeira no processo eleitoral", disse.

As declarações de Milei foram dadas na convenção partidária que oficializou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como candidato ao Palácio do Planalto. O discurso provocou crise diplomática entre o Brasil e a Argentina, com a participação de ministros, tanto do governo federal quanto do STF, e a convocação do embaixador do país vizinho para prestar esclarecimentos.

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Edinho também disse que o ataque de Milei atinge o Estado brasileiro, e não um partido político, o que afeta empresas e trabalhadores argentinos dependentes da relação comercial entre os dois países.

"Líderes vêm e vão, mas os países permanecem", afirmou Edinho, ao comparar a postura do argentino à de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. "Se Milei não entende isso, ele não está apto para o cargo que ocupa", disse.

Edinho também comentou a decisão do Itamaraty de negar vistos a dois diplomatas dos Estados Unidos que, segundo o jornal The Washington Post, vinham ao Brasil para questionar a legitimidade das eleições. Para o presidente do PT, a decisão foi correta. "Respeitamos as eleições dos Estados Unidos, mesmo que tenham sido questionadas por sua própria liderança. Pedimos reciprocidade. Não aceitaremos nenhuma interferência", afirmou.

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Edinho também criticou Flávio Bolsonaro por voltar a levantar dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas em reunião com embaixadores. Segundo ele, o senador repete o discurso do pai, que resultou na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. "As urnas foram auditadas por todas as organizações imagináveis, e ninguém conseguiu violar a segurança", disse, ao afirmar que o PT venceu e perdeu eleições com o sistema e nunca questionou sua legitimidade.

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