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Milei aperta operação dos bancos na Argentina e briga com setor após alta do dólar

FolhaPress 21/08/2025 05:55

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O governo de Javier Milei elegeu um adversário improvável nos últimos dias ao impor novas regras para os bancos na Argentina, em uma tentativa de controlar a compra de dólares e chegar até as eleições de outubro sem maiores sustos no câmbio.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Uma nova exigência, que aumentou a tensão com um setor geralmente alinhado com o governo, determina que as instituições financeiras mantenham um patamar mínimo de recursos depositados diariamente, em vez de mensalmente, o que reduz a margem de manobra.

Os bancos também eram obrigados a manter 45% dos depósitos no Banco Central, índice que agora sobe para 50%.

As principais empresas do setor estão elaborando um documento para aconselhar o BCRA (Banco Central da República Argentina) sobre possíveis problemas operacionais com a mudança.

As tensões com o setor começaram ainda em julho, quando o governo decidiu reduzir a quantidade de pesos em circulação para conter a demanda crescente por dólares.

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Em uma licitação extraordinária, o governo absorveu o equivalente a R$ 25 bilhões em pesos argentinos dos bancos em um único dia, na tentativa de evitar que esses pesos pressionassem o dólar.

Nas últimas semanas, em uma entrevista a um programa de rádio, Milei acusou os bancos de promoverem um cenário de tensão financeira após o fim de um tipo de título de dívida do Tesouro com prazo de um ano.

Nesta quarta-feira (20), o dólar oficial subiu pela primeira vez em 13 dias e voltou a ultrapassar o patamar de 1.300 pesos. Desde abril foi adotado um sistema de bandas para o dólar oficial, cujos limites são corrigidos mensalmente -atualmente, o teto é de 1.447 pesos.

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Milei chegou a prometer que o câmbio chegaria ao piso da banda, o que ainda não aconteceu. Em teoria, o BCRA só deveria intervir quando o câmbio ultrapassasse os limites, mas o governo interveio com a venda de contratos futuros quando a moeda se aproximou dos 1.300 pesos.

O conjunto de medidas levantou preocupações sobre a continuidade do controle da inflação e o impacto nas próximas eleições legislativas, em outubro, no programa de ajuste fiscal.

O aumento da taxa de juros -em termos reais, foram para dois dígitos- e os novos requisitos de reservas têm um impacto direto nas margens dos bancos, que, após um período de crescimento rápido do crédito, agora enfrentam custos elevados.

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As ações de bancos argentinos enfrentaram queda nos últimos pregões, refletindo a preocupação do mercado com essa nova realidade. As ações do Banco Macro caíram 10,55% em cinco dias; as do Santander, -0,99%; as do BBVA, -13,53%.

Postagens em redes sociais também divulgaram, de maneira equivocada, que o governo havia limitado a quantidade de dinheiro que as pessoas podem sacar.

O BCRA indicou que "o aumento das reservas obrigatórias é um instrumento para gerir a política monetária e, pelo contrário, assegura a devolução dos depósitos por parte das entidades uma vez que são depositados no Banco Central".

"Embora a estratégia busque conter as pressões cambiais e ancorar a inflação, também aumenta o risco de uma nova desaceleração da atividade econômica e de que o governo vá para as eleições em um cenário de alto estresse financeiro", adverte um relatório da consultoria Invecq.

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