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Microcrédito fortalece pequenos negócios e ajuda a preservar tradição do miriti na Amazônia

Recursos para capital de giro e investimentos permitem que empreendedores mantenham atividades, gerem renda e ampliem iniciativas ligadas à cultura e à inclusão social

Vitória News 31/08/2026 09:36
Microcrédito fortalece pequenos negócios e ajuda a preservar tradição do miriti na Amazônia
Imagem gerada por IA?VN

Uma tradição amazônica transmitida entre gerações encontrou no empreendedorismo uma forma de continuar viva. Em Abaetetuba, no nordeste do Pará, José Roberto do Carmo Ferreira, conhecido como Beto, trabalha há mais de quatro décadas transformando o miriti em brinquedos, objetos decorativos e peças que representam a cultura paraense.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O conhecimento começou dentro de casa. Ainda criança, Beto acompanhava o pai e aprendeu o ofício que mais tarde se tornaria sua atividade profissional.

Com o passar dos anos, a produção deixou de se concentrar apenas nos tradicionais brinquedos associados ao Círio de Nazaré e ganhou novos formatos e mercados. Hoje, peças produzidas pelo artesão chegam a compradores de outros estados e também ao exterior.

A expansão trouxe, porém, desafios comuns aos pequenos negócios: comprar matéria-prima, tintas e outros materiais, pagar mão de obra e manter recursos disponíveis enquanto as peças ainda estão em produção.

Para organizar a atividade, Beto formalizou o empreendimento como Microempreendedor Individual (MEI) e buscou crédito no Banco da Amazônia.

Segundo o artesão, o recurso ajudou principalmente no capital de giro, permitindo maior tranquilidade para produzir e escolher o melhor momento para comercializar as peças.

Tradição também movimenta economia

SESC PICASSO

O artesanato de miriti representa mais do que uma fonte de renda.

A produção mantém conhecimentos construídos ao longo de gerações e transforma elementos da cultura amazônica em atividade econômica.

Em Abaetetuba, a tradição do miriti envolve famílias de artesãos e está relacionada à identidade cultural do município.

Ao profissionalizar a produção e alcançar novos mercados, esses pequenos negócios criam uma conexão entre economia, cultura e preservação de saberes tradicionais.

Nesse contexto, o acesso ao crédito pode permitir que artesãos adquiram materiais, organizem estoques e mantenham a produção funcionando entre o momento da fabricação e o recebimento pelas vendas.

Empreendedorismo também promove inclusão

Em Belém, outro pequeno negócio mostra como o empreendedorismo pode produzir impacto social.

Rennan Couto, de 34 anos, identificou dificuldades enfrentadas por famílias na busca por espaços preparados para atender crianças atípicas e adaptou sua barbearia infantil para receber esse público.

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Depois de acessar microcrédito pelo programa BASA Acredita, o empreendedor deixou um imóvel menor e ampliou a estrutura da Rennan Barber Kids.

O investimento permitiu incorporar brinquedos educativos e adaptar o ambiente para melhorar o atendimento das crianças e de seus familiares.

Nesse caso, o recurso financeiro ajudou não apenas a aumentar a capacidade do estabelecimento, mas também a desenvolver um serviço voltado a uma necessidade específica da comunidade.

Crédito produtivo pode sustentar pequenos negócios

O Banco da Amazônia mantém diferentes modalidades de microcrédito destinadas a pequenos empreendedores.

Os recursos podem ser utilizados, conforme as condições de cada linha, para compra de insumos e matérias-primas, aquisição de equipamentos, pequenas reformas, ampliação da estrutura e capital de giro.

No caso do capital de giro, o dinheiro é utilizado para financiar as necessidades cotidianas da atividade, permitindo que o empreendedor continue produzindo e comercializando enquanto administra entradas e saídas de recursos.

Essa disponibilidade pode ser especialmente importante para negócios de pequeno porte, que normalmente possuem menor reserva financeira para enfrentar oscilações nas vendas ou períodos de maior necessidade de estoque.

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Economia local vai além da geração de renda

As experiências de Beto e Rennan mostram duas dimensões diferentes do pequeno empreendedorismo na Amazônia.

Em Abaetetuba, uma atividade econômica ajuda a manter uma tradição cultural associada ao miriti e permite que conhecimentos familiares atravessem gerações.

Em Belém, um serviço foi adaptado para oferecer melhores condições de atendimento a crianças atípicas e suas famílias.

Nos dois casos, o crédito aparece como instrumento para manter ou ampliar negócios que também produzem impactos no território onde estão instalados.

Esse modelo aproxima o desenvolvimento econômico de outros objetivos, como valorização da cultura, inclusão social, fortalecimento das comunidades e geração de oportunidades locais.

Mais do que ampliar faturamento, o desafio dos pequenos negócios é criar condições para permanecer em atividade, gerar renda e transformar conhecimentos ou necessidades locais em empreendimentos capazes de se sustentar ao longo do tempo.

Fonte: Brasil 61, Banco da Amazônia e Agência Sebrae de Notícias

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