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Mexilhões podem levar microplásticos à alimentação humana

Estudo da Unirio mostra que mariscos filtradores não diferenciam alimento natural de partículas plásticas presentes na água

Vitória News 15/06/2026 10:34
Mexilhões podem levar microplásticos à alimentação humana
Foto: Fernando Frazão/ABr

Um estudo da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) acendeu um novo alerta sobre a presença de microplásticos na cadeia alimentar. A pesquisa indica que mexilhões podem ingerir partículas plásticas enquanto se alimentam e, com isso, se tornar uma possível via de exposição humana a esses poluentes.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O trabalho foi publicado na revista científica Ocean and Coastal Research e analisou o comportamento do mexilhão marrom, espécie comum no litoral brasileiro e consumida em diferentes preparos culinários. Por serem animais filtradores, os mexilhões retiram da água as partículas em suspensão usadas como alimento. O problema é que, nesse processo, podem capturar também fragmentos de plástico presentes no ambiente marinho.

Para observar esse comportamento, os pesquisadores coletaram mexilhões na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, e simularam condições ambientais em laboratório. Os animais foram expostos a três situações: água com microalgas, água com microplásticos e água com uma mistura dos dois materiais.

Após uma hora de experimento, a equipe verificou que os mexilhões consumiram as partículas de forma indiscriminada. No tanque com mistura, a sobra de microalgas e de microplásticos ficou em proporções muito próximas, o que reforça a conclusão de que a espécie não consegue distinguir bem o alimento natural das partículas sintéticas.

SESC PICASSO

A preocupação dos pesquisadores vai além da presença física do plástico. Microplásticos podem carregar contaminantes químicos aderidos à superfície ou incorporados ao material durante sua fabricação. Como os mexilhões acumulam o que filtram da água, áreas poluídas podem representar maior risco para o consumo.

Outro ponto de atenção é que o cozimento não resolve esse tipo de contaminação. Embora o calor ajude a reduzir riscos ligados a microrganismos e parasitas, ele não elimina microplásticos, metais, biotoxinas ou contaminantes químicos que já estejam presentes no organismo dos moluscos.

CONTADOR - BONUS

Segundo os pesquisadores, o nível de exposição humana depende da frequência de consumo e da origem dos mariscos. Quem consome mexilhões eventualmente tende a ter menor exposição do que pessoas que ingerem o alimento com frequência, especialmente quando ele vem de áreas sujeitas a poluição.

O estudo também reforça a necessidade de políticas para reduzir o descarte de resíduos plásticos no mar e ampliar o monitoramento de áreas de maricultura. Para os cientistas, proteger a produção de frutos do mar exige atacar a contaminação na origem e acompanhar de forma contínua a qualidade ambiental das regiões de cultivo e coleta.

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