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Mendonça inclui Flávio Bolsonaro em inquérito sobre financiamento de 'Dark Horse'

PF apura suspeitas de lavagem, evasão de divisas e corrupção em repasses ligados a Daniel Vorcaro; Eduardo Bolsonaro também aparece na investigação

Vitória News 11/09/2026 10:07
Mendonça inclui Flávio Bolsonaro em inquérito sobre financiamento de 'Dark Horse'
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a inclusão do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A decisão foi tomada em 22 de julho, a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas só se tornou conhecida após a retirada de parte do sigilo de procedimentos relacionados ao caso Banco Master.

A Polícia Federal apura a possível prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros crimes relacionados aos recursos destinados à produção cinematográfica.

Nesta fase, Flávio Bolsonaro é investigado. Não há denúncia apresentada contra ele nesse inquérito.

Negociação previa até R$ 134 milhões

A investigação busca esclarecer uma negociação envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o financiamento de “Dark Horse”.

Documentos e mensagens revelados ao longo das investigações indicaram que o acordo previa aportes de aproximadamente US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época.

Inicialmente, foram identificados pelo menos R$ 61 milhões em pagamentos vinculados ao projeto.

Flávio Bolsonaro reconheceu publicamente que procurou Vorcaro para buscar financiamento privado para o filme, mas nega qualquer irregularidade, recebimento de vantagem ou oferta de contrapartida ao ex-banqueiro.

Novo pagamento apareceu em relatório do Coaf

Outro elemento que passou a integrar a apuração é a identificação de um pagamento adicional de US$ 1,6 milhão feito em setembro de 2025.

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A movimentação apareceu em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e não estava entre as seis parcelas inicialmente divulgadas.

A produtora Go Up Entertainment afirmou que esse pagamento foi incluído na prestação de contas apresentada à Justiça e sustenta que os recursos destinados ao filme tiveram origem privada.

A origem, o destino e a estrutura das operações financeiras continuam sob investigação.

Delação pode ajudar a esclarecer caminho do dinheiro

Um dos principais avanços recentes foi a homologação, na quarta-feira (9), da colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.

Freixo é dono da Entre Investimentos e Participações, empresa apontada nas investigações como intermediária de repasses realizados a pedido de Daniel Vorcaro.

Segundo as apurações, recursos passaram pela Entre Investimentos antes de serem enviados ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos.

A colaboração foi negociada com a PGR e homologada por André Mendonça depois de o empresário confirmar a voluntariedade do acordo.

A expectativa dos investigadores é que o depoimento ajude a esclarecer a origem dos recursos, os responsáveis pelas ordens de pagamento e os beneficiários finais das operações.

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Eduardo Bolsonaro também é investigado

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também aparece entre os investigados.

A apuração tenta descobrir se parte dos recursos enviados aos Estados Unidos foi utilizada em despesas relacionadas a Eduardo.

O Havengate Development Fund é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-parlamentar.

Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos de Daniel Vorcaro e também rejeita a afirmação de que seja gestor do fundo.

Duas investigações diferentes envolvem o filme

O financiamento de “Dark Horse” passou a ser investigado em duas frentes distintas no Supremo.

A investigação relatada por André Mendonça está vinculada ao caso Banco Master e concentra-se nos recursos privados atribuídos a Daniel Vorcaro, nas transferências internacionais e na possível destinação do dinheiro.

Outra frente, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura a suspeita de que recursos públicos provenientes de emendas parlamentares possam ter chegado a empresas relacionadas à produção do filme.

Foi essa segunda investigação que deu origem à Operação Make Up, deflagrada na quinta-feira (10), com 49 mandados de busca e apreensão.

Entre os alvos estavam o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up Entertainment.

Coaf identificou movimentações atípicas

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Relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf também passaram a integrar essa segunda frente.

Segundo informações constantes da investigação, três relatórios mapearam movimentações entre empresas, institutos e pessoas relacionadas aos investigados.

O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, foi apontado como um dos principais captadores dos recursos analisados.

A PF também identificou mais de R$ 19 milhões em movimentações classificadas como atípicas nas contas da Go Up Entertainment.

A classificação de uma operação como atípica pelo Coaf, entretanto, não representa por si só prova de crime. Os dados servem como elementos para aprofundamento das investigações.

Flávio nega irregularidades

Flávio Bolsonaro voltou a negar irregularidades envolvendo o filme.

O senador afirma que procurou financiamento privado para uma produção privada e sustenta que não ofereceu qualquer vantagem a Daniel Vorcaro.

Nesta quinta-feira (10), ao comentar a operação conduzida na outra frente da investigação, Flávio afirmou que “não tem absolutamente nada de errado com esse filme” e classificou a ação como tentativa de interferência política no processo eleitoral.

As investigações continuam e ainda não há conclusão da Polícia Federal sobre eventual responsabilidade criminal de Flávio ou Eduardo Bolsonaro pelos fatos apurados.

Fonte: Agência Brasil, Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República


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