Material extraído do celular de Daniel Vorcaro teve o sigilo retirado; relator também defende que eventuais desdobramentos sejam analisados pelo plenário do STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre um relatório da Polícia Federal que contém referências ao ministro Alexandre de Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O documento integra as investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e tem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro entre os investigados.
O sigilo do relatório foi retirado nesta terça-feira (1º) por decisão de Mendonça, relator do caso no Supremo.
PF identificou contato salvo com nome de Moraes
As informações analisadas pela Polícia Federal foram obtidas a partir da quebra de sigilo do celular de Vorcaro.
Segundo o relatório, o aparelho registrava comunicações com um contato salvo com o nome de Alexandre de Moraes. Parte desse conteúdo não pôde ser recuperada integralmente porque algumas mensagens teriam sido encaminhadas por meio de recursos de visualização única.
Entre os registros recuperados, a PF relata uma mensagem de 17 de novembro de 2025 na qual Vorcaro teria informado ao interlocutor que estava tentando se antecipar aos investigadores.
O relatório policial atribui o contato ao nome de Moraes registrado no aparelho. Esse dado, entretanto, não equivale, isoladamente, à comprovação de autoria das mensagens nem representa conclusão sobre eventual irregularidade praticada pelo ministro.
Moraes já negou anteriormente ter mantido conversas com Vorcaro.
Gonet aparece citado por terceiros
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também é mencionado no material, mas em contexto diferente.
Segundo o relatório, o nome de Gonet aparece em mensagens trocadas entre Vorcaro e terceiros. Em uma das conversas, registrada em 2024, um interlocutor identificado como Ciro Soares comenta sobre o procurador-geral.
Até o momento, as informações divulgadas não apontam conversa direta entre Gonet e Vorcaro nesse trecho do material.
Diretor-geral da PF também é mencionado
O relatório contém ainda referências ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
De acordo com os investigadores, o contato dele não foi encontrado na agenda de Vorcaro. O nome surgiu em uma conversa de abril de 2024 entre o ex-banqueiro e o ex-deputado Fábio Faria.
Na troca de mensagens, Faria teria perguntado sobre a possibilidade de convidar o diretor-geral da PF para um evento em Londres. Posteriormente, segundo o relatório, uma secretária ligada a Andrei entrou em contato com a organização para tratar da viagem.
A simples menção aos nomes de autoridades em mensagens apreendidas não significa que elas sejam investigadas ou que tenham cometido qualquer irregularidade.
Mendonça quer análise do plenário
Além de solicitar a manifestação da PGR, André Mendonça indicou que considera o plenário do Supremo a instância adequada para analisar os novos elementos apresentados pela Polícia Federal.
O ministro defendeu que eventual deliberação ocorra de maneira pública, transparente e em sessão presencial.
A definição sobre quando o assunto poderá entrar na pauta cabe ao presidente do STF, Edson Fachin.
Caso a questão seja submetida aos demais ministros, o plenário poderá avaliar quais providências jurídicas são cabíveis diante do relatório apresentado pela PF.
Até o momento, não há decisão formal do Supremo incluindo Alexandre de Moraes como investigado nesse episódio. O próximo passo concreto é a manifestação da Procuradoria-Geral da República dentro do prazo estabelecido por Mendonça.
Com informações da Agência Brasil.