Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 11h20m
Vitória News — Um jornal de verdade
Política

Me prendam, não vou sair do Brasil, vou morrer na cadeia, diz Bolsonaro

FolhaPress 16/05/2025 16:43

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16) que não pretende sair do Brasil, que as autoridades podem prendê-lo e que a tentativa de golpe investigada pelas autoridades brasileiras foi "um golpe da Disney".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Eu com 40 anos de cadeia no lombo, não tenho recurso para lugar nenhum, eu vou morrer na cadeia. Qual crime? Crime impossível, golpe da Disney. Junto com o Pateta, com a Minnie e com o Pato Donald, que eu estava lá em Orlando, programou esse golpe aí", disse ao canal AuriVerde Brasil.

Caso seja condenado pelos crimes de que é acusado na denúncia sobre a trama golpista de 2022, Bolsonaro poderá receber pena de mais de 40 anos de prisão.

Ele é acusado dos crimes de liderar organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.

SESC PICASSO

O ex-mandatário tem argumentado que não seria possível a sua participação no golpe de estado pois estava nos Estados Unidos na época dos ataques golpistas do 8 de janeiro. A argumentação também é importante para a defesa jurídica do político, que já apontou ver o episódio como central para a materialidade do golpe.

Em março, no julgamento que tornou Bolsonaro réu, porém, os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino afirmaram que não necessariamente o acusado precisa ter estado no 8 de janeiro se contribuiu de alguma forma para que o episódio acontecesse.

"Estão previstos 40 anos de cadeia. Me prendam. Estou com 70 já, quase morri em uma cirurgia. Vou morrer não vai demorar", afirmou Bolsonaro na entrevista.

O ex-presidente voltou a repetir o argumento de que é perseguido pelo "sistema" que teria como objetivo não permitir que ele fosse uma alternativa em 2026.

CONTADOR - BONUS

Ele citou a recente condenação da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada por invasão ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e falsidade ideológica, como algo que "não tem cabimento".

Além disso, comentou o processo do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que também estaria envolvido na trama golpista, sugerindo que ambos os casos são exemplos de ativismo judicial. "Eu não sei até quando vou resistir", disse ele aos entrevistados.

A entrevista focou na situação do agro no Brasil. Sobre o tema, o ex-presidente falou ter dado "segurança jurídica" ao setor em seu mandato e que "tirou a força do MST" na época.

A respeito da fraude do INSS, Bolsonaro afirmou que os grandes beneficiados com os descontos indevidos foram os sindicatos, que ele diz não ter recebido durante seu governo, e falou sobre o irmão do presidente Lula (PT) estar à frente de um deles, dizendo não estar insinuando nada.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Depois de descoberta a fraude, o ex-presidente admitiu a possibilidade de ter havido corrupção durante o seu governo, ocorrido de 2019 a 2022. Segundo a investigação da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União), as apurações sobre o episódio começaram em 2019, mas as irregularidades se iniciaram ainda durante o governo de Michel Temer (MDB).

O ex-presidente é réu em um processo que investiga uma trama golpista armada em 2022 para, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), evitar a posse do presidente Lula. Ele tem investido em uma série de ações para evitar uma condenação, como o pedido de anistia aos golpistas do 8 de janeiro, além de outras frentes.

Também já foi aventada a possibilidade de o ex-presidente pedir asilo político para escapar da prisão, o que ele atualmente nega, apesar de já ter admitido não rechaçar a ideia.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas