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MDB mira discurso social e desenvolvimentista dez anos após liberalismo fiscal de 'Ponte para o Futuro'

FolhaPress 22/10/2025 20:19

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O MDB divulgou nesta quarta-feira (22) o documento "Caminhos para o Brasil", texto que pretende resumir a posição política do partido a cerca de um ano das eleições de 2026.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Dez anos após o emblemático "Uma Ponte para o Futuro", o MDB suaviza e deixa em segundo plano o discurso de austeridade fiscal, ponto central e praticamente único do manifesto de 2015, e agora coloca como focos a defesa da democracia, do desenvolvimento e da redução das desigualdades.

O novo documento do partido, intitulado "Caminhos para o Brasil", foi divulgado em evento no Centro de Convenções Brasil 21, com a presença, entre outros, do presidente do MDB, Baleia Rossi, da ministra Simone Tebet (Planejamento), do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e do ex-presidente da República José Sarney.

O texto de 67 páginas foi elaborado pela Fundação Ulysses Guimarães e foi coordenado pelo ex-ministro Aldo Rebelo.

Amparado em três eixos --a consolidação da democracia, a retomada do investimento e a redução das desigualdades--, o documento defende pautas mais identificadas à esquerda, como a responsabilidade social e o combate à crise climática, e mais à direita, como o equilíbrio fiscal.

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"O compromisso com a moderação, o pragmatismo, a busca pelo consenso e o equilíbrio atua como um contrapeso ao desgaste gerado pela intensificação de posicionamentos políticos radicais, que emanam tanto da extrema direita quanto da extrema esquerda."

Como escreveram os deputados Baleia Rossi e Alceu Moreira (presidente da Fundação Ulysses Guimarães) em artigo publicado na Folha de S.Paulo nesta quarta, o objetivo do partido é se colocar ao centro.

"Nosso caminho é do centro. Do verdadeiro centro. Aquele que dialoga da centro-esquerda à centro-direita. Ora cobrando responsabilidade fiscal, ora estimulando mais ousadia nos investimentos. Centro não é ponto de partida, é ponto de chegada. Somos liberais na economia, com profunda responsabilidade social."

Apesar de ter liderado o impeachment de Dilma, setores do MDB apoiaram no segundo turno a eleição de Lula e, após a vitória do petista, passaram a integrar o governo com a ocupação de três ministérios. O partido compõe o grupo de centro e de direita que trabalha por uma candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2026, mas, assim como há quatro anos, setores ensaiam se manter no barco de Lula.

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"É preciso adotar uma postura de responsabilidade e planejamento, com prudência na gestão orçamentária, reformas estruturais e administrativas bem direcionadas e esforços consistentes para reduzir os déficits públicos, sempre com o cuidado de não comprometer serviços essenciais, nem transferir o peso da crise para as gerações futuras", diz o texto divulgado nesta quarta.

Já "Uma Ponte para o Futuro", lançado em outubro de 2015, tinha um tom bastante diverso, bem mais à direita.

O período era de forte crise econômica e política. Apesar de na época ocupar a vice-presidência da República, a sigla caminhava a passos largos para comandar no ano seguinte o impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Pouco mais de um mês depois, por exemplo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (então no MDB) autorizava o andamento do processo contra a petista. Dias depois Michel Temer, que assumiria o cargo, enviava uma carta a Dilma afirmando, entre outras coisas, que se considerava um "vice decorativo".

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O "Ponte para o Futuro" teve como coordenador Moreira Franco, que seria ministro de Temer, e contou com influência de Delfim Netto, homem forte da economia durante a ditadura militar (1964-1985).

O texto tinha uma robusta defesa do rigor nas contas públicas, traçava um cenário de crise fiscal estrutural e de um Estado disfuncional e, no ambiente político e econômico convulsionado, acenava ao empresariado e à direita com várias propostas.

Entre elas reformas estruturais duras para estancar o crescimento da despesa, o fim das vinculações constitucionais (como os pisos mínimos de gastos com saúde e educação), a eliminação da indexação de salários e benefícios previdenciários e uma reforma da Previdência com idade mínima de 65 anos, "com previsão de nova escalada futura dependendo dos dados demográficos".

"Nosso desajuste fiscal chegou a um ponto crítico. Sua solução será muito dura para o conjunto da população, terá que conter medidas de emergência, mas principalmente reformas estruturais", pregava o texto.

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