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Mauro Cid e major fizeram orçamento de R$ 100 mil para levar golpistas do Rio a manifestações, diz PF

FolhaPress 08/02/2024 14:35

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Militares próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atuaram na coordenação financeira e operacional de atos antidemocráticos após o resultado das eleições de 2022, segundo a Polícia Federal (PF).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A conclusão é citada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes na decisão que autorizou a deflagração, nesta quinta-feira (8), da Operação Tempus Veritatis.

Em conversas obtidas pela PF, o major Rafael Martins e o tenente-coronel Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro, falam sobre destinar R$ 100 mil para cobrir gastos de hotel e alimentação de manifestantes.

Segundo o órgão, Martins e Cid se reuniram com outros militares em Brasília em 12 de novembro de 2022 para "para tratar de assuntos relacionados a estratégia golpista". Dois dias depois, os dois teriam trocado mensagens sobre a "necessidade de recursos financeiros".

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Cid pediu uma estimativa de gastos e perguntou se R$ 100 mil seriam suficientes para cobrir os custos de hotel, alimentação e material dos manifestantes. "Entorno [sic] disso", respondeu Martins.

"Rafael Martins contatou Mauro Cid, solicitando recursos financeiros estimados no montante de R$ 100.000,00 [cem mil reais], para custos com hotel, alimentação e material. Em tal oportunidade, Mauro Cid aproveitou para orientá-lo a trazer pessoas do ‘Rio’", afirma a PF.

E segue: "Segundo a autoridade policial, esses elementos, em corroboração com outros, revelam indícios de que o major Rafael Martins de Oliveira atuou de forma direta no direcionamento dos manifestantes para os alvos de interesse dos investigados, além realizar a coordenação financeira e operacional para dar suporte aos atos antidemocráticos e arregimentar integrantes das Forças Especiais do Exército para atuar nas manifestações, que, em última análise, não se originavam da mobilização popular".

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No dia 15 de novembro, apoiadores de Bolsonaro realizaram atos antidemocráticos que pediam um golpe de Estado das Forças Armadas após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais.

No dia das manifestações, mensagens obtidas pela PF mostram que Martins disse a Cid que estava "com as necessidades iniciais". Ele encaminhou ao então ajudante de ordens de Bolsonaro um documento protegido com senha, intitulado "Copa 2022".

Martins orientou Mauro Cid a apagar posteriormente as mensagens, "com o objetivo de suprimir as provas dos ilícitos praticados", revela ainda a PF.

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"Aquele valor de 100 se encaixa nessa estimativa", segue Martins. Cid, então, responde: "Preciso urgente". O major segue: "ok. Incluso [sic] vou transferir o material em dinheiro. Além da locomoção".

O órgão argumenta que o diálogo revela "fortes indícios" de envolvimento direto de Rafael Martins "direcionando os manifestantes para os alvos de interesse dos investigados, como STF e Congresso Nacional, além de realizar a coordenação financeira e operacional para dar suporte aos atos antidemocráticos".

A Polícia Federal também cita indícios de que empresários do agronegócio teriam financiado os atos golpistas.

"No dia 16 de novembro, Mauro Cid enviou um áudio, possivelmente para o general Freire Gomes, pelo aplicativo Una, em que cita o financiamento das manifestações em Brasília, por empresários do ‘agro", diz o relatório.

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