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Sustentabilidade

Mata Atlântica avança na restauração

Iniciativas privadas e pacto nacional impulsionam recuperação do bioma onde vivem 72% dos brasileiros

Vitória News 24/02/2026 11:29
Mata Atlântica avança na restauração
Foto: Symbiosis/Divulgação

A Mata Atlântica, historicamente marcada pelo desmatamento, tem registrado avanços em estratégias de restauração florestal que combinam inovação tecnológica, manejo sustentável e articulação institucional.

Na Bahia, uma iniciativa da empresa Symbiosis apresentou resultados que reduziram em até 50% o tempo de crescimento das espécies nativas plantadas. O avanço foi obtido a partir do mapeamento genético e da seleção de indivíduos com maior potencial adaptativo.

O trabalho, iniciado em 2014, envolveu a coleta e análise genética de matrizes centenárias, resistentes ao histórico de exploração do bioma. A estratégia permitiu restaurar mil hectares com base na seleção de 45 espécies nativas, como jacarandá, jequitibá, ipês e angicos.

Além da escolha genética, os plantios foram estruturados para garantir variabilidade entre indivíduos, reduzindo riscos associados à homogeneização e ampliando a resiliência frente às mudanças climáticas.

Fragmentação e riscos ambientais

Originalmente, a Mata Atlântica cobria cerca de 130 milhões de hectares do território brasileiro. Atualmente, restam aproximadamente 24% dessa área, sendo apenas 12,4% de florestas maduras e bem preservadas, distribuídas em fragmentos ao longo de 17 estados.

A fragmentação compromete a variabilidade genética das espécies e reduz a capacidade de adaptação dos ecossistemas a eventos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, a perda de diversidade afeta diretamente serviços ecossistêmicos essenciais, como regulação climática, qualidade da água e controle de doenças.

Estudos indicam que, entre 1993 e 2022, cerca de 4,9 milhões de hectares entraram em processo de regeneração natural. No mesmo período, 1,1 milhão de hectares foram novamente desmatados, resultando em saldo positivo de 3,8 milhões de hectares mantidos.

Modelo econômico e pacto nacional

A restauração deixou de ser vista exclusivamente como ação filantrópica e passou a integrar estratégias de negócios. Modelos de manejo permitem exploração sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros, como óleos e essências, sem corte raso, mantendo o sequestro de carbono e a integridade do ecossistema.

Empresas de geração hidrelétrica, por exemplo, têm investido na proteção de mananciais que abastecem reservatórios, reduzindo riscos operacionais em períodos de estiagem ou eventos extremos.

Em 2009, foi criado o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, com a meta de recuperar 15 milhões de hectares até 2050. A restauração florestal, nesse contexto, envolve ações intencionais de recomposição ou indução da regeneração natural.

O bioma abriga atualmente cerca de 72% da população brasileira, o que amplia a relevância socioeconômica das iniciativas de recuperação.

Desafios e escala

Apesar dos avanços técnicos e institucionais, especialistas apontam que a expansão da restauração depende de políticas públicas mais robustas. Entre as medidas defendidas estão pagamentos por serviços ambientais, incentivos econômicos à recomposição florestal e mecanismos de comando e controle para garantir a preservação de áreas obrigatórias.

Estima-se que, a cada dois campos de futebol restaurados, pode ser gerado um emprego direto, indicando potencial relevante de desenvolvimento sustentável e geração de renda associado à recuperação do bioma.

O conjunto de iniciativas posiciona a Mata Atlântica como uma das referências globais em restauração ambiental, embora a meta de recompor 15 milhões de hectares até 2050 ainda exija ampliação significativa de escala e investimentos contínuos.

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