Levantamento do TCE-ES aponta que 75 cidades precisam reforçar investimentos em Saúde e Educação para cumprir os mínimos legais
Marataízes está entre os únicos três municípios do Espírito Santo que não receberam alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) sobre investimentos mínimos obrigatórios em Saúde e Educação no quarto bimestre de 2026. Além da cidade do litoral sul, apenas Ecoporanga e Iúna ficaram fora da lista de notificações.
O levantamento, divulgado pelo TCE-ES em 20 de outubro, mostra que 75 dos 78 municípios capixabas apresentavam, até agosto, investimentos abaixo de pelo menos um dos parâmetros acompanhados pelo órgão de fiscalização.
Os alertas têm caráter preventivo e não significam, necessariamente, que as prefeituras descumprirão a legislação. A verificação definitiva ocorre ao final do exercício financeiro, permitindo que os gestores façam ajustes durante os meses restantes do ano.
Marataízes não recebeu alertas sobre os seis indicadores
O Tribunal de Contas acompanha seis exigências relacionadas à aplicação de recursos públicos em Saúde e Educação.
Entre elas estão a destinação mínima de 15% das receitas de impostos e transferências para ações e serviços públicos de saúde e de 25% para manutenção e desenvolvimento do ensino.
Também são monitoradas as regras de utilização dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), incluindo a aplicação mínima de 70% na remuneração dos profissionais da educação básica em efetivo exercício.
Outros indicadores envolvem investimentos com recursos da complementação federal do Valor Anual Total por Aluno (VAAT), educação infantil e educação em tempo integral.
Marataízes, Ecoporanga e Iúna não apresentaram situações que exigissem a emissão de alertas em nenhum desses seis indicadores no período analisado.
O resultado, entretanto, não representa uma aprovação antecipada das contas municipais de 2026, que ainda dependerão da análise dos dados consolidados do exercício.
Prefeito comemora resultado de Marataízes
O prefeito de Marataízes, Toninho Bitencourt, comemorou o desempenho do município e atribuiu o resultado às medidas de organização administrativa e financeira adotadas pela gestão.
Segundo ele, a prefeitura vem buscando melhorar os indicadores fiscais e garantir o cumprimento das obrigações legais.
“Já somos destaque em transparência, gestão fiscal, qualidade de vida e nos índices de desempenho da educação. E hoje, mais essa notícia nos enche de orgulho e ainda mais vontade de trabalhar pela nossa Pérola Capixaba”, afirmou.
O prefeito também declarou que encontrou dificuldades financeiras ao assumir a administração municipal e que a gestão trabalha para reorganizar as contas públicas.
A secretária municipal de Finanças, Valquíria Goulart, destacou a importância do controle das despesas e do acompanhamento dos percentuais obrigatórios.
Segundo ela, o rigor na utilização dos recursos públicos tem sido uma orientação da administração, especialmente nas áreas de Saúde e Educação.
Educação em tempo integral concentra maior número de alertas
Entre os seis indicadores acompanhados pelo Tribunal de Contas, a aplicação de recursos na educação em tempo integral apresentou o maior número de ocorrências.
Ao todo, 68 municípios receberam alertas relacionados ao investimento mínimo de 4% dos recursos do Fundeb nessa modalidade de ensino.
Segundo o TCE-ES, a exigência passou a ser monitorada neste ano, o que ajuda a explicar a quantidade elevada de notificações.
Outro ponto de atenção foi a aplicação de recursos da complementação VAAT em despesas de capital, como obras e aquisição de equipamentos. Nesse indicador, 51 municípios receberam alertas.
Os investimentos em educação infantil com recursos do VAAT e a aplicação mínima de 25% na manutenção e desenvolvimento do ensino resultaram, cada um, em 31 alertas.
O Tribunal também identificou 22 municípios com necessidade de atenção ao percentual destinado à remuneração dos profissionais da educação básica.
Na Saúde, sete cidades receberam alertas relacionados ao investimento mínimo obrigatório.
Cinco municípios receberam alertas em cinco indicadores
O levantamento mostra que nenhuma prefeitura capixaba recebeu alertas referentes aos seis indicadores simultaneamente.
Entretanto, cinco municípios apresentaram pendências em cinco dos critérios acompanhados.
Ibatiba, Jaguaré, Laranja da Terra e Marechal Floriano receberam cinco alertas relacionados exclusivamente à Educação.
São José do Calçado também apresentou cinco ocorrências, sendo uma referente à Saúde e quatro à Educação.
Essas notificações indicam a necessidade de acompanhamento e possíveis ajustes na execução orçamentária até o encerramento de 2026.
TCE-ES acompanha investimentos durante todo o ano
O Tribunal de Contas utiliza informações enviadas pelas prefeituras para acompanhar periodicamente a aplicação dos recursos públicos.
A cada dois meses, o órgão avalia os indicadores e emite alertas quando identifica risco de descumprimento dos limites mínimos exigidos.
O secretário de Controle Externo de Contabilidade, Economia e Gestão Fiscal do TCE-ES, Jaderval Freire Junior, explicou que o objetivo é permitir a correção de eventuais problemas antes do fechamento anual das contas.
Além de orientar os gestores, o acompanhamento busca evitar consequências administrativas e financeiras relacionadas ao descumprimento das exigências legais.
Entre os possíveis efeitos está a dificuldade para obter determinadas transferências voluntárias de recursos de outros entes federativos.
A emissão de um alerta, portanto, não equivale à constatação definitiva de irregularidade, mas funciona como instrumento preventivo de fiscalização.
Resultado coloca Marataízes em situação favorável no levantamento
A ausência de notificações no quarto bimestre indica que Marataízes não apresentava, naquele momento, riscos identificados pelo TCE-ES em relação aos seis indicadores monitorados.
O desempenho distingue o município da maioria das cidades capixabas, que ainda precisam ajustar investimentos em pelo menos uma das áreas acompanhadas.
Para manter essa condição, a administração deverá continuar observando os percentuais constitucionais e as regras do Fundeb até o encerramento do exercício.
A avaliação definitiva dos investimentos de 2026 dependerá dos resultados consolidados e dos procedimentos de fiscalização e análise das contas pelo Tribunal de Contas do Estado.
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