Registro da harpia indica recuperação ambiental e reforça proteção de áreas da Mata Atlântica
A maior águia das Américas, a harpia, foi confirmada no Parque Nacional da Serra das Lontras, no sul da Bahia, em um registro considerado relevante para a conservação da espécie no país.
A ocorrência foi identificada por pesquisadores em parceria com a equipe gestora da unidade, encerrando anos de incerteza sobre a presença da ave na região.
A harpia é uma das maiores aves de rapina do mundo e depende de florestas preservadas para sobreviver. Por isso, sua presença é vista como um indicativo direto da qualidade ambiental.
Indicador da saúde da floresta
O registro reforça a importância da área protegida, que integra um dos principais corredores de Mata Atlântica do país. A espécie exige grandes territórios e disponibilidade de presas, como macacos e preguiças, além de árvores de grande porte para a construção de ninhos.
A confirmação também amplia o alcance conhecido da espécie no bioma, especialmente na porção mais ao norte da Mata Atlântica.
Reprodução reacende expectativa
Além do registro no parque, um filhote de harpia nasceu recentemente na região, em uma reserva privada no sul da Bahia, após anos sem sucesso reprodutivo monitorado no bioma.
O nascimento é considerado um marco, já que a espécie possui reprodução lenta e depende de condições ambientais específicas para se desenvolver.
Especialistas apontam que a preservação da espécie não depende apenas das áreas protegidas, mas também de sistemas agroflorestais tradicionais, como a cabruca, que ajudam a manter a conectividade entre fragmentos de floresta.
A combinação entre áreas preservadas e territórios produtivos sustentáveis é vista como essencial para garantir a sobrevivência da espécie na região.
A harpia pode atingir mais de dois metros de envergadura e pesar até nove quilos. Como predador de topo da cadeia alimentar, não possui inimigos naturais e exerce papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas.
Por ser altamente sensível à degradação ambiental, cada novo registro da espécie é tratado como um sinal positivo para a conservação da biodiversidade.