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Política

Lula sofre 8 reveses de sua base aliada em menos de um mês

FolhaPress 10/05/2025 15:17

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em menos de um mês, o governo Lula (PT) sofreu oito reveses vindos de sua base formal de apoio, tendo como capítulos mais recentes o anúncio de rompimento pela bancada de deputados do PDT, na última terça-feira (6), e a aprovação pela Câmara, no dia seguinte, de projeto que visava suspender ação penal da trama golpista.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Repetindo um placar que não tem sido raro em Lula 3, o centrão se uniu à oposição e marcou 315 votos a 143 no caso relativo ao deputado Alexandre Ramagem (PL), deixando o PT e demais partidos da esquerda isolados.

Embora o recado nesse caso seja mais ao STF (Supremo Tribunal Federal) -segundo quem só eventuais crimes cometidos pelo deputado após a diplomação poderiam ser objeto da análise da Câmara-, não deixa de ser mais uma derrota do governo.

Em relação à troca de titulares no ministério do modesto PDT (Previdência), o tamanho da legenda de Carlos Lupi --17 deputados e três senadores-- pode dar a impressão de importância menor à possível rebelião, mas significa o primeiro abalo à esquerda em uma base que à direita tem sido profícua em instabilidade, vide o caso Ramagem.

O mais recente inferno astral da grande base volúvel de Lula -folgada no papel, mas oscilante na prática- começou no dia 14 de abril, quando a oposição bolsonarista conseguiu protocolar um requerimento de urgência para a votação do projeto de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023.

Na lista dos 185 deputados que colocaram sua assinatura, 81 eram de União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos, siglas de centro e de direita que comandam, ao todo, 11 ministérios de Lula.

Uma semana depois, no dia 22, o líder da bancada do União Brasil, Pedro Lucas Fernandes (MA), recusou o convite para ser ministro das Comunicações dias após de ter aceito.

A ida do parlamentar para a vaga de Juscelino Filho, --denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) sob acusação de desviar emendas parlamentares-- resultou em um motim interno no partido, rachado entre apoiadores de Lula e opositores.

Integrantes do Palácio do Planalto chegaram até a ventilar a ameaça de retirar espaço do partido, mas o governo não tem força para prescindir do apoio da sigla, uma das maiores da Câmara e do Senado.

Na última semana de abril, chegou do Congresso mais uma saraivada de notícias contrárias aos interesses palacianos.

SESC PICASSO

No dia 29, uma terça-feira, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara rejeitou o recurso do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) contra a cassação do seu mandato.

O governo diz não ter posição sobre o tema, mas Glauber recebeu a visita de nove ministros quando estava fazendo greve de fome nas dependências da Câmara, entre eles Gleisi Hoffmann (PT), a chefe da articulação política do petista.

Naquela mesma terça-feira, União Brasil e PP anunciaram sua federação -compromisso de atuação conjunta pelos próximos quatro anos-- no Congresso em clima de comício de oposição, apesar de eles comandarem quatro ministérios.

O governo Lula não foi citado nominalmente em nenhum momento, mas as críticas veladas e até explícitas nortearam o evento.

Os ministros do Esporte, André Fufuca (PP), e do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), estavam presentes, mas, em um atitude incomum nesse tipo de evento, não foram chamados para discursar.

Diferentemente disso, tiveram papel de destaque no evento figuras como o governador Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Tereza Cristina (PP-MS), todos críticos a Lula.

No dia seguinte, 30 de abril, a oposição na Câmara conseguiu novamente reunir assinaturas necessárias para requerer outra dor de cabeça para o Palácio do Planalto, a CPI para investigar a suspeita de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Mais uma vez, o documento contou com o apoio de dezenas de deputados de União Brasil, PSD, MDB, Republicanos e PP.

No feriado de 1º de Maio -em que Lula deixou de comparecer aos atos das centrais sindicais devido ao receio de eventos esvaziados-, foi a vez de o presidente do PSD, Gilberto Kassab, reiterar suas projeções políticas em um tom muito mais de oposição do que de governo.

CONTADOR - BONUS

Crítico do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), Kassab dessa vez disse na Agrishow, principal feira agrícola do país, que, se Tarcísio de Freitas (Republicanos) se lançar à Presidência, a direita toda se unirá em torno dele.

Dizendo-se ainda convencido de que o governador de São Paulo e ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) vá tentar na verdade a reeleição, ele acrescentou não ver problema nesse caso, avaliando que toda a centro-direita deve lançar candidatos, mas que, no segundo turno, "todos se encontram".

O segundo turno, no caso, seria contra Lula.

Kassab talvez seja o exemplo mais ilustrativo da base instável do governo. O ex-prefeito de São Paulo comanda um partido com três ministérios e, ao mesmo, tempo, é secretário de Governo de Tarcísio, apontado como possível rival do petista em 2026.

Dias depois, Kassab repetiu a promessa de lealdade a Tarcísio em visita ao Congresso, acrescentando não ver contradição em comandar um partido com ministérios no governo Lula e que defende outro nome para 2026.

Lula foi eleito por uma estreita margem em 2022 e, além disso, viu a maior parte das cadeiras de Câmara e Senado serem conquistadas pelos partidos de centro e de direita.

Com isso, ainda na transição firmou uma aliança com o centrão pelas mãos de Arthur Lira (PP-AL), então presidente da Câmara e que dias antes estava no palanque de Bolsonaro.

Apesar de distribuir nove ministérios a essas siglas e depois expandir o lote para 11, há um histórico recheado de traições desde 2023.

Diferentemente de outras épocas, em que os governos do PT contavam com maior popularidade e com mecanismos mais persuasivos de retaliação em caso de infidelidade, com um maior controle sobre o pagamento de emendas, desta vez Lula enfrenta não só a esquerda minoritária, mas popularidade preocupante e o empoderamento do Congresso por meio do volume e da execução impositiva das emendas.

AS DERROTAS EM SÉRIE DE LULA NO CONGRESSO

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Anistia ao 8 de janeiro - Em 14 de abril, a oposição protocolou requerimento para que tramite com urgência proposta de anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. Na lista de 185 deputados, 81 eram de deputados do União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos, siglas que comandam 11 ministérios de Lula. O requerimento ainda não foi pautado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos)

O quase ministro - Em 22 de abril, o líder da bancada do União Brasil, Pedro Lucas Fernandes (MA), recusou o convite para ser ministro das Comunicações dias depois de ter aceito. O recuo se deu após motim interno no partido, rachado entre apoiadores de Lula e opositores.

Glauber Braga - No dia 29 de abril, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara rejeitou o recurso do deputado do PSOL contra a cassação do seu mandato. PT e governistas foram derrotados.

Comício da oposição - Nesse mesmo dia, União Brasil e PP anunciaram sua federação no Congresso em clima antigoverno e com holofotes sobre críticos de Lula.

INSS - No dia seguinte, 30 de abril, a oposição na Câmara conseguiu novamente apoio no centrão para reunir as assinaturas necessárias para requerer outra dor de cabeça para o Palácio do Planalto, a CPI para investigar a suspeita de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Gilberto Kassab - O presidente do PSD, que controla três ministérios, repetiu em declarações no feriado de 1º de maio e no dia 8 a lealdade a Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), de quem é secretário, e a intenção de lançar candidatos para concorrer com Lula em 2026.

PDT - O partido na Câmara anunciou rompimento com Lula no último dia 6 após a queda de Carlos Lupi da Previdência, em meio ao escândalo do INSS.

Ramagem - A Câmara aprovou, no dia 7, por 315 a 143 votos, projeto que visa suspender toda a ação penal da trama golpista em que está o ex-presidente sob o argumento de que entre os réus há um deputado, Alexandre Ramagem (PL-RJ). O PT e governistas foram derrotados —e a Primeira Turma do STF decidiu em julgamento virtual derrubar a medida dos parlamentares.

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