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Lula se reúne com MST e ouve cobrança por reforma agrária

FolhaPress 30/01/2025 20:05

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) se reuniu nesta quinta-feira (30) com coordenadores do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Palácio do Planalto, em Brasília, e ouviu cobranças por reforma agrária.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Nós viemos dizer para o presidente que nós estamos insatisfeitos com o programa de reforma agrária, o que foi feito até os dias de hoje é muito aquém da nossa expectativa, mas que é possível ajustar, é possível o presidente corrigir a rota e apresentar um conjunto de demanda para o nosso período", disse João Paulo Rodrigues.

A declaração foi dada após reunião do presidente com lideranças do MST no Palácio do Planalto. Também participaram o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, e sua secretária-executiva, Fernanda Machiavelli.

Segundo Rodrigues, o ministro apresentou um compromisso de 20 mil famílias assentadas neste ano, mas o número é visto ainda como baixo para o movimento, que pleiteia 65 mil.

De acordo com Ceres Hadich, coordenadora do MST que também esteve na reunião, está sendo discutida uma ida do presidente a um assentamento ainda na primeira quinzena de fevereiro - em Pernambuco ou Minas Gerais.

Desde que foi eleito, Lula ainda não esteve em um dos assentamentos do MST.

SESC PICASSO

O movimento, no final do ano passado, cobrou visita e reforçou críticas sobre a falta de avanço na reforma agrária e promessas de invasões pelo país em 2025, mas evitou pedir a saída do ministro Paulo Teixeira.

Em seu balanço anual, integrantes da direção nacional do movimento, que tem trocado críticas com a gestão Lula, afirmaram que apoiam o governo de forma incondicional. Ao mesmo tempo, cobraram entregas de novos assentamentos e mudanças na agenda política e de comunicação.

Os coordenadores do MST também cobraram mais orçamento para a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e apresentaram sugestões ao governo de formas de aumentar a produção de alimentos, uma das principais preocupação do chefe do Executivo neste ano.

Dentre as propostas é para ampliar o limite do CAF (Cadastro da Agricultura Familiar), e orçamento para programas de agricultura familiar. "Há uma preocupação coletiva porque não tem criatividade da reforma agrária", disse Rodrigues.

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Mais cedo, em entrevista coletiva aos jornalistas no Planalto, Lula disse que não tem mais idade para cometer "bravatas", referindo-se às discussões para conter a alta dos alimentos.

Ele disse que vai se reunir com empresários e produtores e descartou medidas heterodoxas --sem mencionar a ideia de taxar exportações do agro que foi defendida por ala do PT como forma de conter a inflação desses produtos.

Lula citou a alta de alguns alimentos específicos, entre eles a picanha, uma das marcas de sua campanha eleitoral, quando prometeu que todo brasileiro poderia comer picanha e tomar uma "cervejinha" no fim de semana.

"Em 2023, a picanha caiu 30%. Ela voltou a subir, por quê? É apenas a exportação? É a matriz?", disse Lula, afirmando que buscará uma solução em conversa com produtores. O presidente também citou a alta do óleo de soja.

Newsletter Brasília Hoje Receba no seu email o que de mais importante acontece na capital federal *** Em relação ao aumento do preço do diesel, esse é um tema que costuma trazer reclamações dos caminhoneiros. O presidente disse que vai dialogar com a categoria caso isso aconteça.

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Lula concedeu entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto. A conversa acontece em meio à mudança na Secom (Secretaria de Comunicação Social), com a chegada do publicitário Sidônio Palmeira, que já alertou aliados que pretende dar mais visibilidade ao presidente.

O governo federal colocou como prioridade neste início de ano a redução dos preços dos alimentos, com o presidente Lula cobrando diretamente seus ministros durante a primeira reunião geral do ano.

As primeiras falas e ações na tentativa de contornar a alta nos alimentos, no entanto, foram marcadas por ruídos, após o ministro Rui Costa (Casa Civil) afirmar que o governo faria "intervenções" no preço dos alimentos, usando uma expressão que sugere a adoção de medidas heterodoxas. O ministro depois se retratou.

A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou a 0,11% em janeiro, após marcar 0,34% em dezembro, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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