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Política

Lula enfrenta novos testes no Congresso após crise do IOF e pode encontrar Motta e Alcolumbre

FolhaPress 07/07/2025 17:37

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) vai enfrentar novos testes no Congresso nesta semana, em meio à crise com parlamentares em torno da derrubada dos decretos que alteraram as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O governo terá votações consideradas sensíveis para o projeto de recuperação da popularidade do presidente e precisará iniciar um processo de reaproximação com as cúpulas da Câmara e do Senado, após o abalo na relação com Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Na Câmara, dois projetos considerados prioritários pelo Executivo devem ser analisados pelos deputados: a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública deve ser votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na quarta-feira (9), e o relatório do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês deve ser apresentado em comissão especial.

Os dois temas servirão como teste para medir a temperatura entre os dois Poderes, que passam pelo momento de maior tensão desde o início do governo Lula 3.

Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Lula sinalizou a interlocutores que gostaria de conversar com Motta antes do próximo dia 15, quando deve ocorrer uma audiência de conciliação entre os Poderes sobre o aumento do IOF, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ainda não há data marcada para o encontro, e interlocutores do governo dizem que isso dependerá da forma como a cúpula do Congresso retornará aos trabalhos nesta semana. Lula voltará a Brasília na noite desta segunda-feira (7).

SESC PICASSO

No caso da PEC da Segurança, a leitura do relatório do deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE) está marcada para quarta-feira, e a expectativa dele e do presidente da CCJ, Paulo Azi (União Brasil-BA) é que o procedimento não seja adiado.

Motta foi avisado de que o parecer entraria na pauta e deu aval, segundo relatos. Ele se encontrará com Mendonça Filho, Azi e lideranças para discutir o tema. "Segurança pública é hoje o principal problema do país, não é pauta apenas do governo. [Motta] Pensa como eu", disse Azi à Folha de S.Paulo.

Já Mendonça disse que Motta pediu celeridade ao parecer desde o princípio. "Não creio que mude o calendário, é um assunto prioritário da sociedade, não uma agenda de governo", afirmou.

Tanto petistas como integrantes do governo, contudo, dizem ainda ser incerto o impacto do mal-estar na votação e nas mudanças que Mendonça Filho pretende fazer no texto. Alinhado à direita em temas ligados à segurança, o centrão pode dificultar a vida do governo.

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O relator da PEC, que faz oposição ao governo Lula, sinalizou em seus discursos que fará alterações no texto. Ele tem dito que não é possível combater o crime organizado a partir de Brasília, mostrando preocupação com a centralização da coordenação da segurança pública pelo governo federal.

Há um consenso entre Legislativo e Executivo de que o tema da segurança será um dos principais da campanha no ano que vem, então parlamentares querem legislar sobre o tema, ainda que numa perspectiva distinta do governo federal. Com as modificações propostas pelo relator, o texto deve ser aprovado e seguir para uma comissão especial.

Em outra frente, governistas esperam que o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), relator do projeto do Imposto de Renda, apresente seu parecer também nesta semana, como vem sinalizando.

Lira havia prometido, inicialmente, apresentar o texto em junho, na mesma semana em que o Congresso derrubou os decretos de IOF. A ação coordenada entre as cúpulas das duas Casas, resultando na derrota do governo, criou um ambiente que levou ao adiamento da leitura do relatório do IR.

A isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais e as medidas de compensação fazem parte da principal aposta do Palácio do Planalto para recuperar a popularidade do presidente para a eleição de 2026.

Os projetos que serão discutidos no Congresso nos próximos dias representam uma prova para o governo Lula, após a mais importante derrota que teve no seu terceiro governo. Se as votações forem adiadas, elas terão apenas mais uma semana para ocorrer, antes do recesso de julho.

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Governistas vêm tentando explorar o conflito com o Congresso. Eles têm inundado suas redes sociais com a retórica da luta entre pobres e ricos, cenário em que o presidente da República estaria entrando em choque contra poderosos interesses empresariais e financeiros.

No discurso capitaneado pelo PT, estimulado pelo Planalto e disseminado por perfis alinhados, a campanha é formada em boa parte por vídeos produzidos por inteligência artificial e tem como mote a defesa da "taxação BBB", em referência a "bilionários, bets e bancos" -grupos que formariam um poderoso lobby em parceria com o centrão e a direita no Legislativo.

Embora tenha vencido Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022, o presidente viu o Congresso ser dominado por partidos de centro e direita.

Inicialmente, Lula distribuiu nove ministérios entre União Brasil, PSD e MDB. Depois, ampliou o espaço e incorporou PP e Republicanos, elevando o número de pastas controladas por esse bloco para 11.

Apesar disso, esses partidos impõem derrotas recorrentes ao governo no Congresso, abrigam núcleos de oposição aberta e mantêm vínculos com o bolsonarismo. Além disso, flertam com uma candidatura alternativa à de Lula em 2026 -o nome preferido hoje é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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