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Política

Lula desfila com aliado, ouve vaias e é festejado em cortejo da Independência na Bahia

FolhaPress 02/07/2024 17:06

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Eram 10h da manhã quando o presidente Lula (PT) deixou a Igreja de Nossa Senhora da Solenidade para participar do cortejo do 2 de Julho, que celebra o fim da guerra de independência do Brasil na Bahia.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A primeira parte da solenidade oficial da festa já havia ficado para trás: bandeiras foram hasteadas, flores depositadas no busto do general Pierre Labatut e os carros com as imagens do caboclo e da cabocla, símbolos da participação popular na guerra pela independência, já estavam longe.

Sob forte esquema de segurança, Lula subiu em uma camionete e percorreu as ruas e ladeiras do centro antigo de Salvador em clima de campanha eleitoral, com uma disputa entre vaias e aplausos durante o trajeto.

Como numa carreata, o petista veio acompanhado da chapa completa de aliados que terão o seu apoio em Salvador: o vice-governador Geraldo Júnior (MDB), pré-candidato a prefeito, e a sua candidata a vice, a petista Fabya Reis.

Ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), percorreram um trajeto de cerca de um quilômetro em 40 minutos. O presidente deixou o cortejo antes do ponto final do trajeto, que vai até o Terreiro de Jesus, no Pelourinho.

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Lula vestiu um turbante do afoxé Filhos de Gandhy, acenou para apoiadores e cumprimentou alguns deles, que conseguiram ultrapassar o cordão de segurança e se aproximar do presidente. Não discursou nem deu entrevistas.

Na maior parte do trajeto, o petista foi aplaudido e celebrado por grupos de apoiadores. Mas desta vez, ao contrário do ano passado, também ouviu vaias que partiram de aliados do prefeito Bruno Reis (União Brasil).

Bruno Reis e Geraldo Júnior devem polarizar a disputa eleitoral de Salvador, replicando na capital a divisão entre os dois principais grupos políticos do estado, liderados pelo PT e União Brasil.

Aliados celebraram a presença de Lula como fundamental para alavancar a candidatura do aliado e mobilizar a militância. A escolha de Geraldo Júnior, que até 2022 era aliado do prefeito, gerou resistências dentro da base petista, que preferia uma candidatura orgânica de um nome de esquerda.

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Para minimizar as resistências, o grupo liderado pelo PT tem apostado em uma estratégia de nacionalizar a eleição municipal, buscando associar Reis, que firmou aliança com o PL, ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Aqui em Salvador está polarizado. Bruno Reis é o candidato do ex-presidente Jair Bolsonaro. E eu e Fabya somos apoiados por Lula e Jerônimo. Isso está definido", afirmou Geraldo Júnior.

O senador Jaques Wagner (PT), um dos principais articuladores da candidatura, também celebrou a vinda de Lula. "Ele veio para comemorar o 2 de Julho e fazer entregas de obras. Mas é óbvio que o vento que ele traz é um vento bom para a candidatura de Geraldo."

O prefeito, que não encontrou Lula e percorreu o cortejo ao lado de aliados políticos, minimizou o clima de campanha eleitoral e celebrou a presença do presidente na festa cívica da Bahia.

"Sempre é motivo de alegria ter o presidente aqui nesta data. Mas não altera nada a nossa vida e o nosso percurso", disse Reis, minimizando o impacto da influência nacional na eleição local.

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Em um tom menos diplomático que o do prefeito, o vice-presidente nacional da União Brasil, ACM Neto, criticou o clima eleitoral da participação do presidente no cortejo do 2 de Julho.

"Não é hora de se estar fazendo eleição. A hora é de trabalhar pelo país, e o presidente claramente está em palanque fazendo campanha política. Enquanto isso, o dólar está pipocando, a taxa de juros não cai e volta uma ameaça inflacionária", disse.

A despeito de a União Brasil fazer parte da base do presidente, a expectativa dos petistas é que Lula se engaje na campanha do aliado. Até o momento, contudo, o presidente vem adotando uma postura mais cautelosa em Salvador, em contraste com o apoio mais aberto adotada em cidades como São Paulo.

Esta é a terceira vez consecutiva que Lula participa do cortejo do 2 de Julho em Salvador. Em 2022, a festa teve a presença dos principais candidatos a Presidência, incluindo Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB). Naquele ano, Bolsonaro veio a Salvador, mas participou de uma motociata com apoiadores.

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