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Lula reage a sanções dos EUA e reforça defesa do Mais Médicos e da cooperação com Cuba

Vitória News 14/08/2025 18:02

CO presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas, nesta quinta-feira (14), ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba e defendeu a manutenção do Programa Mais Médicos, criado em 2013 com participação de profissionais cubanos. Segundo ele, a relação entre Brasil e Cuba é baseada em “respeito” e na cooperação para garantir atendimento médico em regiões carentes.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As declarações ocorreram um dia após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciar a revogação dos vistos de servidores do governo brasileiro, ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e seus familiares, ligados ao programa de cooperação em saúde com Cuba.

Entre os atingidos pela medida estão Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais da pasta e atual coordenador-geral para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30).

“O fato deles caçarem o Mozart foi por causa de Cuba. Então, é importante eles saberem que a nossa relação com Cuba é uma relação de respeito a um povo que está sendo vítima de um bloqueio há 70 anos. Hoje, estão passando necessidade, em um bloqueio que não há nenhuma razão. Os Estados Unidos fez uma guerra, perdeu. Aceite que perdeu e deixa os cubanos viverem em paz, deixa os cubanos viverem a sua vida. Não fiquem querendo mandar no mundo”, afirmou Lula durante evento em Goiana, Pernambuco.

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Histórico do bloqueio e da exportação de médicos

O bloqueio econômico à ilha caribenha já dura mais de seis décadas e tem como objetivo pressionar pela mudança do regime político instaurado após a Revolução Cubana de 1959. Uma das principais estratégias de Cuba para driblar a escassez de recursos é a exportação de médicos, prática que passou a ser alvo de críticas e sanções do governo norte-americano, especialmente a partir do mandato de Donald Trump.

Apesar da pressão, países do Caribe como São Vicente e Granadinas, Barbados e Trinidad e Tobago mantiveram o apoio aos acordos de cooperação médica com Cuba. Segundo o Ministério da Saúde cubano, desde a década de 1960, cerca de 605 mil médicos da ilha já atuaram em 165 nações, incluindo Portugal, Ucrânia, Rússia, Espanha, Argélia e Chile.

No Brasil, a parceria com a Opas possibilitou a participação de médicos cubanos no Mais Médicos entre 2013 e 2018, ajudando a suprir a carência de profissionais em áreas remotas e periferias urbanas.

Lula critica elitismo e defende decisão do governo

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Ao recordar a criação do Mais Médicos, Lula disse que o programa foi necessário para cobrir os “vazios assistenciais” do país. Ele criticou a resistência de parte da classe médica brasileira à presença dos profissionais estrangeiros.

“Quando nós criamos o Mais Médicos, qual era a bronca dos médicos [que criticaram a participação dos cubanos]? É que tem uma parte elitista da saúde nesse país que acha que não falta médico. Agora, os prefeitos sabem que falta médico. Mesmo para levar para a periferia mais violenta, é difícil você ter médico que quer ir. Tem prefeito que não pode nem pagar o salário de médico porque ninguém quer ficar confinado numa cidadezinha do interior, se o cara pode estar na capital”, disse.

“É preciso que a gente tenha a noção da parte do Brasil que não precisa [de médicos] e da parte que precisa. E é o governo que tem que tomar a decisão”, acrescentou.

Autonomia na produção de medicamentos

Durante a cerimônia em Pernambuco, Lula também celebrou a inauguração de dois novos blocos de produção de medicamentos hemoderivados da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), que permitirá ao Brasil conquistar autonomia no fracionamento de plasma humano.

Com investimento de R$ 1,9 bilhão, as novas unidades irão produzir medicamentos de alto custo, como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação VIII e IX, essenciais para o tratamento de queimados graves, pacientes de UTIs, pessoas com hemofilias, doenças raras e em grandes cirurgias.

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“A Hemobrás veio pra ficar e para mostrar que o Brasil é soberano e não tem medo de ameaça”, declarou o presidente, em referência também às sanções norte-americanas.

Produção nacional e abastecimento do SUS

Atualmente, a Hemobrás abastece o Sistema Único de Saúde (SUS) com produtos obtidos por transferência de tecnologia. Em 2024, foram entregues 552 mil frascos de hemoderivados e 870 milhões de Unidades Internacionais de medicamentos recombinantes.

Com os blocos B02 (fracionamento de plasma) e B03 (envase e liofilização), a expectativa é produzir até 500 mil litros de plasma fracionado por ano e seis tipos de medicamentos, reduzindo a dependência de processamento no exterior.

Em 2023, Lula já havia inaugurado a unidade de biotecnologia (bloco B07), que embala o medicamento Hemo-8r, usado no tratamento da hemofilia A. A planta passou por inspeção da Anvisa, recebeu certificado de boas práticas de fabricação e iniciou a primeira das três etapas da produção nacional, com previsão de entregar 300 mil frascos ao SUS até o fim de 2025.

O próximo passo, previsto para o segundo semestre, será o envase do primeiro lote de medicamentos, com conclusão da produção do insumo farmacêutico ativo (IFA) até o final de 2026.

Fonte: ABr

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