O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o responsável por abrir, nesta terça-feira, a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em um discurso firme, Lula criticou as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos e alertou para o avanço do autoritarismo em diferentes partes do mundo.
“O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade desta organização [ONU] está em xeque. Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder, atentados à soberania, sanções arbitrárias. E intervenções unilaterais estão se tornando regra”, declarou o presidente, diante de chefes de Estado e representantes de mais de 190 países.
Segundo Lula, há “um evidente paralelo” entre a crise do sistema multilateral e o enfraquecimento da democracia global. Para ele, a comunidade internacional falha quando não reage às violações de soberania e às agressões à paz. “O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades. Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas”, afirmou.
O presidente também direcionou críticas a grupos que tentam restringir direitos fundamentais e enfraquecer instituições democráticas. “Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência. Exaltam a ignorância. Atuam como milícias físicas e digitais e cerceiam a imprensa. Mesmo sob ataques sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há 40 anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais”, completou.
O tom do discurso reforçou a intenção do governo brasileiro de se posicionar como defensor do multilateralismo e da democracia, em um cenário marcado por tensões geopolíticas e disputas de poder.