Em ato do MST em Salvador, presidente defende reforma da ONU, critica unilateralismo e diz articular diálogo com líderes internacionais
Conselho de Paz de Trump foi citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um sinal de enfraquecimento do multilateralismo e de tentativa de concentrar decisões internacionais. A declaração foi feita nesta sexta-feira (23), em Salvador, durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do MST.
No discurso, Lula afirmou que defende mudanças na estrutura da Organização das Nações Unidas, incluindo a ampliação de países com participação permanente no Conselho de Segurança. Ele também disse que o cenário internacional vive um período de tensão, com disputas conduzidas por imposição e não por negociação.
Intertítulo 1:
Lula afirmou que recebeu convite para integrar o conselho e relacionou a proposta à supervisão de um comitê voltado à administração de Gaza. Segundo ele, a iniciativa deveria ser discutida em fóruns multilaterais já existentes, com regras e participação equilibrada entre países.
Ainda de acordo com o presidente, ele tem procurado líderes internacionais para tratar do tema e buscar articulações que preservem mecanismos de diálogo. Foram mencionados contatos com representantes da China, Rússia, Índia e México.
Lula também voltou a criticar ações dos Estados Unidos na Venezuela, classificando o episódio citado por ele como desrespeito à soberania e à integridade territorial. No mesmo contexto, afirmou que o Brasil mantém relações com diferentes países, mas rejeita qualquer lógica de submissão política.
Intertítulo 2:
Ao falar sobre política externa, Lula disse que defende soluções pela via diplomática e pelo convencimento, sem adesão a confrontos militares. Ele ainda citou a situação em Gaza como um tema que, na avaliação dele, exige esforço internacional para reduzir tensões e evitar escaladas.
O encontro do MST terminou com um ato que marcou os 42 anos do movimento, celebrado em 22 de janeiro, com a presença de autoridades, parlamentares, representantes de movimentos sociais e apoiadores. A organização informou que o evento reuniu delegações de todo o país, com mais de 3 mil participantes, e incluiu debates sobre reforma agrária, agroecologia, agricultura familiar e conjuntura política.
Ao final, uma carta do movimento foi entregue ao presidente, com críticas a ações internacionais apontadas no documento como ameaças à soberania e ao multilateralismo, além de posicionamentos sobre temas como agronegócio, exploração mineral e conflitos externos.