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Lula celebra acordo comercial entre China e EUA e defende regulamentação das redes sociais

Vitória News 14/05/2025 07:37

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou nesta terça-feira (13) o acordo firmado entre China e Estados Unidos para redução de tarifas comerciais. O entendimento aconteceu após rodada de negociações em Genebra, na Suíça, e foi destacado por Lula durante coletiva de imprensa realizada em Pequim, onde cumpriu agenda oficial nos últimos dias. "O acordo entre EUA e China, em Genebra, é uma demonstração, pura e simplesmente, de que tudo seria mais fácil se antes de anunciar de forma unilateral as taxações, os EUA tivessem conversado com a China. Seria muito mais fácil, muito mais simples e muito menos penoso para o mundo. É uma demonstração de que tarda, mas não falha. A sabedoria leva a gente sempre à mesa de negociação", afirmou Lula. Com o acordo anunciado, as tarifas extras impostas pelos EUA sobre produtos chineses cairão de 145% para 30%. Em contrapartida, a China reduzirá suas tarifas adicionais sobre produtos norte-americanos de 125% para 10%. A negociação entre as duas maiores economias do mundo continuará, mas já representa um alívio significativo para o mercado global.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Nova ordem mundial

Durante a coletiva, Lula reforçou a necessidade de fortalecer o multilateralismo e defendeu o retorno da Organização Mundial do Comércio (OMC) como principal fórum para discussão de tarifas comerciais. "Se não tiver a ONU [Organização das Nações Unidas] com força, a questão climática vai ser tratada de forma secundária. Não adianta tomar decisão nas COPs [conferências do clima da ONU], se depois você não tem uma instância de governança mundial que obriga a execução. Isso vai cansando, porque você toma decisão e não acontece nada. Chega um dia e desanima", observou. Lula destacou também o papel crescente da China no cenário internacional e mencionou a importância dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), cuja próxima cúpula será realizada em julho, no Rio de Janeiro. "A China merece ser olhada com mais carinho e sem preconceitos. A China é a novidade econômica e tecnológica do século XXI. Os Brics é outra novidade extraordinária desse século", afirmou Lula, reforçando a necessidade de "mudar o eixo da geopolítica mundial".

SESC PICASSO

Regulamentação das redes sociais

Em outro momento da entrevista, o presidente Lula revelou detalhes sobre sua conversa com o presidente chinês Xi Jinping a respeito da regulamentação das redes sociais, particularmente do TikTok, controlado pela China. Lula explicou que solicitou a Xi o envio de um representante chinês ao Brasil para discutir o tema. "E aí a Janja pediu a palavra para explicar o que está acontecendo no Brasil, sobretudo contra as mulheres e contra as crianças. Foi só isso", esclareceu Lula, referindo-se à primeira-dama Janja da Silva. "A pergunta foi minha. Eu não me senti nenhum pouco incomodado. O fato da minha mulher pedir a palavra é porque minha mulher não é cidadã de segunda classe. Ela entende mais de direito digital do que eu e resolveu falar", completou. Lula criticou ainda o vazamento da conversa ocorrida durante um jantar reservado. "A primeira coisa que eu acho estranho é como essa pergunta chegou à imprensa, porque só estavam meus ministros lá, o [Davi] Alcolumbre [presidente do Senado] e o Elmar [Nascimento, 2º vice-presidente da Câmara dos Deputados]. Então, alguém teve a pachorra de ligar para alguém e contar uma conversa que teve num jantar, que era uma coisa muito confidencial e muito pessoal", reclamou. Sobre a resposta do líder chinês, Lula revelou que Xi Jinping destacou que "o Brasil tem direito de fazer a regulamentação". "Ainda bem que estava o Elmar, em nome da Câmara, e o Davi, que sabem que nós temos que regulamentar [as redes sociais]. Não é possível a gente continuar com as redes digitais cometendo os absurdos que cometem, e a gente não ter capacidade de fazer uma regulamentação", concluiu o presidente brasileiro.

Fonte: ABr

 

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