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Política

Lula propõe reação conjunta do Brics às tarifas impostas pelos Estados Unidos e critica postura de Trump

Vitória News 07/08/2025 07:24

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (6), que pretende articular uma resposta conjunta entre os países do Brics diante das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Em entrevista à agência Reuters, Lula revelou que entrará em contato com os líderes da China e da Índia para debater os impactos das sanções americanas e construir uma posição coordenada do bloco, que agora reúne dez países no G20.

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“Vou tentar fazer uma discussão com eles sobre como cada um está dentro da situação, qual é a implicação que tem em cada país, para a gente poder tomar uma decisão”, declarou o presidente brasileiro, referindo-se ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e ao presidente chinês, Xi Jinping.

Nova taxação atinge Brasil e Índia

As tarifas de 50% sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos entraram em vigor nesta quarta-feira. No mesmo dia, o presidente norte-americano Donald Trump publicou um decreto impondo nova tarifa de 25% sobre produtos da Índia, justificando a medida com a alegação de que o país estaria importando petróleo russo, direta ou indiretamente.

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Foco na manutenção de empregos e novos mercados

De acordo com Lula, a principal preocupação do governo brasileiro neste momento é proteger os empregos e ajudar as empresas nacionais a diversificarem seus destinos de exportação. A equipe econômica trabalha em uma medida provisória (MP) com ações de resposta ao tarifaço. O texto, segundo o presidente, deverá ser entregue ao Palácio do Planalto ainda nesta quarta-feira pelo Ministério da Fazenda.

Sem diálogo com Trump

Lula descartou, por ora, qualquer tentativa de diálogo com o presidente norte-americano. “Eu não liguei porque ele não quer telefonema. Não tenho por que ligar para o presidente Trump, porque nas cartas que ele mandou e nas suas decisões ele não fala em nenhum momento em negociação, o que ele fala é em novas ameaças”, afirmou.

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Apesar disso, o presidente reforçou que sua intenção é esgotar todas as alternativas diplomáticas antes de reagir com medidas semelhantes. “Eu estou fazendo tudo isso [negociando] quando poderia anunciar uma taxação dos produtos americanos. Não vou fazer porque não quero ter o mesmo comportamento do presidente Trump. Eu quero mostrar que quando um não quer, dois não brigam, e eu não quero brigar com os Estados Unidos”, completou.

Críticas à forma de comunicação dos EUA

Lula também criticou a forma como o governo brasileiro foi comunicado sobre as sanções, classificando a atitude como autoritária. “Não é assim que estamos acostumados a negociar”, pontuou.

Acusações de intromissão na soberania brasileira

O presidente ainda reagiu com veemência à postura dos Estados Unidos, acusando Trump de tentar interferir em decisões internas do Brasil. “Não é uma intromissão pequena, é o presidente da República dos Estados Unidos achando que pode ditar regras em um país soberano como o Brasil. Não é admissível que os Estados Unidos e nenhum país grande ou pequeno resolva dar um pitaco na nossa soberania”, disse.

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E continuou: “Ele que cuide dos Estados Unidos, do Brasil, cuidamos nós. Só tem um dono esse país, e só um dono que manda no presidente da República, é o povo, o povo que elegeu, o povo que pode tirar”.

Regulação das big techs brasileiras é tema de embate

Lula também comentou as críticas feitas por Trump à legislação brasileira sobre as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs. Segundo o presidente, o Brasil tem autonomia para regular os serviços dessas empresas conforme seus próprios critérios e valores.

“Esse país é soberano, tem uma Constituição, tem uma legislação. É nossa obrigação regular o que a gente quiser regular de acordo com os interesses e a cultura do povo brasileiro. Se não quiser regulação, saia do Brasil”, concluiu.

Fonte: ABr
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