Quinta-feira, 5 de Novembro de 2026 | 13h20m
Vitória News — Um jornal de verdade
Torre de Papel
Política

Lula propõe reação conjunta do Brics às tarifas impostas pelos Estados Unidos e critica postura de Trump

Vitória News 07/08/2025 07:24

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (6), que pretende articular uma resposta conjunta entre os países do Brics diante das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Em entrevista à agência Reuters, Lula revelou que entrará em contato com os líderes da China e da Índia para debater os impactos das sanções americanas e construir uma posição coordenada do bloco, que agora reúne dez países no G20.

Feliz Automóveis

“Vou tentar fazer uma discussão com eles sobre como cada um está dentro da situação, qual é a implicação que tem em cada país, para a gente poder tomar uma decisão”, declarou o presidente brasileiro, referindo-se ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e ao presidente chinês, Xi Jinping.

Nova taxação atinge Brasil e Índia

As tarifas de 50% sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos entraram em vigor nesta quarta-feira. No mesmo dia, o presidente norte-americano Donald Trump publicou um decreto impondo nova tarifa de 25% sobre produtos da Índia, justificando a medida com a alegação de que o país estaria importando petróleo russo, direta ou indiretamente.

SESC 20 DE OUTUBRO

Foco na manutenção de empregos e novos mercados

De acordo com Lula, a principal preocupação do governo brasileiro neste momento é proteger os empregos e ajudar as empresas nacionais a diversificarem seus destinos de exportação. A equipe econômica trabalha em uma medida provisória (MP) com ações de resposta ao tarifaço. O texto, segundo o presidente, deverá ser entregue ao Palácio do Planalto ainda nesta quarta-feira pelo Ministério da Fazenda.

Sem diálogo com Trump

Lula descartou, por ora, qualquer tentativa de diálogo com o presidente norte-americano. “Eu não liguei porque ele não quer telefonema. Não tenho por que ligar para o presidente Trump, porque nas cartas que ele mandou e nas suas decisões ele não fala em nenhum momento em negociação, o que ele fala é em novas ameaças”, afirmou.

CONTADOR - BONUS

Apesar disso, o presidente reforçou que sua intenção é esgotar todas as alternativas diplomáticas antes de reagir com medidas semelhantes. “Eu estou fazendo tudo isso [negociando] quando poderia anunciar uma taxação dos produtos americanos. Não vou fazer porque não quero ter o mesmo comportamento do presidente Trump. Eu quero mostrar que quando um não quer, dois não brigam, e eu não quero brigar com os Estados Unidos”, completou.

Críticas à forma de comunicação dos EUA

Lula também criticou a forma como o governo brasileiro foi comunicado sobre as sanções, classificando a atitude como autoritária. “Não é assim que estamos acostumados a negociar”, pontuou.

Acusações de intromissão na soberania brasileira

O presidente ainda reagiu com veemência à postura dos Estados Unidos, acusando Trump de tentar interferir em decisões internas do Brasil. “Não é uma intromissão pequena, é o presidente da República dos Estados Unidos achando que pode ditar regras em um país soberano como o Brasil. Não é admissível que os Estados Unidos e nenhum país grande ou pequeno resolva dar um pitaco na nossa soberania”, disse.

Anuncio - Raimundo - Bonus

E continuou: “Ele que cuide dos Estados Unidos, do Brasil, cuidamos nós. Só tem um dono esse país, e só um dono que manda no presidente da República, é o povo, o povo que elegeu, o povo que pode tirar”.

Regulação das big techs brasileiras é tema de embate

Lula também comentou as críticas feitas por Trump à legislação brasileira sobre as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs. Segundo o presidente, o Brasil tem autonomia para regular os serviços dessas empresas conforme seus próprios critérios e valores.

“Esse país é soberano, tem uma Constituição, tem uma legislação. É nossa obrigação regular o que a gente quiser regular de acordo com os interesses e a cultura do povo brasileiro. Se não quiser regulação, saia do Brasil”, concluiu.

Fonte: ABr
Compartilhe esta notícia