Mercado movimentou 16,4 bilhões de unidades no primeiro semestre de 2026; país mantém índice de reciclagem superior a 97% e amplia uso da embalagem em novas categorias de bebidas
O crescimento do mercado brasileiro de latas de alumínio vem acompanhado de um desafio ambiental: aumentar a circulação de embalagens sem ampliar na mesma proporção o consumo de matérias-primas e a geração de resíduos.
No primeiro semestre de 2026, foram comercializadas 16,4 bilhões de latas para bebidas no país. Ao mesmo tempo, a expansão da embalagem para além de cervejas e refrigerantes reforça a importância da reciclagem e da logística reversa para manter o alumínio dentro do ciclo produtivo.
Energéticos, cervejas sem álcool, sucos e água estão entre as categorias que mais ampliaram o uso da embalagem. Juntas, cresceram aproximadamente 30% no primeiro semestre e alcançaram, pela primeira vez, 1 bilhão de latas comercializadas em seis meses.
Economia circular reduz necessidade de novo material
Uma das principais características ambientais do alumínio é a possibilidade de ser reciclado sucessivamente e retornar à fabricação de novas embalagens sem perda das propriedades do material.
No Brasil, 97,3% das latas de alumínio para bebidas comercializadas em 2024 foram recicladas, segundo o último índice nacional consolidado divulgado pela Recicla Latas, Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas).
Foram 33,9 bilhões de embalagens recuperadas de um total de 34,8 bilhões colocadas no mercado naquele ano.
O país mantém índices superiores a 96% há 16 anos, resultado de uma cadeia que envolve consumidores, catadores, cooperativas, empresas de coleta, recicladores e fabricantes.
Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir), uma lata descartada corretamente pode passar pela coleta, reciclagem e voltar ao mercado como uma nova embalagem em aproximadamente 60 dias.
Esse retorno reduz a necessidade de utilizar exclusivamente alumínio primário na fabricação de novas embalagens e ajuda a diminuir a pressão sobre recursos naturais e energia ao longo da cadeia produtiva.
Crescimento amplia responsabilidade ambiental
O avanço da lata para novas categorias de bebidas aumenta também a quantidade de embalagens que precisa retornar ao sistema de reciclagem.
Por isso, o crescimento do mercado depende da manutenção e ampliação de estruturas de coleta seletiva, cooperativas, pontos de entrega e sistemas de logística reversa capazes de acompanhar o volume colocado em circulação.
O desafio é preservar os elevados índices de recuperação mesmo diante da diversificação do consumo.
A própria estrutura brasileira de logística reversa para latas estabelece como compromisso manter o índice nacional de reciclagem em pelo menos 95%, ampliar a infraestrutura da cadeia e desenvolver ações de capacitação e educação para o descarte adequado.
Sustentabilidade entra no debate sobre embalagens
A expansão do setor também ocorre em meio à discussão sobre como os impactos ambientais das diferentes embalagens devem ser considerados nas políticas públicas.
A Abralatas defende que critérios relacionados ao ciclo de vida, reciclabilidade e capacidade de retorno dos materiais ao processo produtivo sejam considerados na regulamentação que afeta o setor, inclusive nas discussões relacionadas à Reforma Tributária.
A adoção de critérios ambientais pode estimular modelos de produção que privilegiem a circularidade e reduzam a destinação de materiais recicláveis a aterros ou ao descarte inadequado.
Ao mesmo tempo, o elevado índice de reciclagem não elimina os impactos ambientais associados à produção e ao consumo. A fabricação do alumínio primário demanda mineração, processamento industrial, energia e transporte.
Nesse contexto, ampliar o uso de material reciclado, garantir a recuperação das embalagens após o consumo e reduzir perdas ao longo da cadeia são fatores fundamentais para melhorar o desempenho ambiental do setor.
Consumo muda e reciclagem precisa acompanhar
O mercado de bebidas passa por uma transformação, com consumidores buscando novas categorias, tamanhos e formas de consumo. A lata acompanha esse movimento e avança sobre segmentos que até poucos anos tinham participação limitada nesse tipo de embalagem.
Para que essa expansão seja compatível com os princípios da economia circular, porém, o crescimento das vendas precisa caminhar junto com a capacidade de coleta e reaproveitamento.
Mais do que ampliar o número de embalagens recicláveis disponíveis no mercado, o desafio ambiental é garantir que elas sejam efetivamente coletadas, recicladas e reinseridas na produção.
Em um país que já recupera mais de 97% das latas de alumínio para bebidas, manter esse ciclo em funcionamento diante do crescimento e da diversificação do consumo será uma das principais questões de sustentabilidade para o setor nos próximos anos.
Fonte: Abralatas, Recicla Latas e Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir)