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Justiça mantém uso do apelido 'Careca do INSS'

FolhaPress 23/05/2025 17:36

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça do Distrito Federal rejeitou uma queixa-crime apresentada por Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", contra reportagem do portal "Fatos Online". Ele os acusava de calúnia, injúria e difamação por uma publicação que mencionou a compra de uma mansão em Trancoso (BA) e que usou várias vezes o apelido associado ao lobista.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Antunes afirmou que a expressão ofendia sua reputação e continha um teor pejorativo. Na decisão, da 6ª Vara Criminal de Brasília, o juiz José Ronaldo Rossato entendeu que não há justa causa para a ação penal, pois não foi caracterizada a intenção deliberada de ofender a honra do empresário.

A defesa de Antunes informou à Folha que vai recorrer da decisão. "O uso reiterado da alcunha 'Careca do INSS' torna evidente a intenção dos jornalistas de desmoralizar o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes", afirmou.

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O STF (Supremo Tribunal de Justiça) entendeu que, por não adentrar a intimidade e a vida privada de Antunes, a reportagem não extrapola o direito de crítica. "Apesar do tom ácido da reportagem, as críticas estão inseridas no âmbito de matéria jornalística de cunho informativo, baseada em levantamentos de fatos de interesse público", declarou o órgão.

O Ministério Público já havia se manifestado contra o prosseguimento da ação, e o juiz concordou. Para ele, o uso do apelido e a veiculação das informações estão protegidos pelo exercício da liberdade de imprensa, visto que não há imputação direta de crime no caso das possíveis operações imobiliárias relacionadas ao lobista.

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"As expressões utilizadas nas matérias jornalísticas, inclusive a alcunha 'Careca do INSS', embora de gosto duvidoso, não se reveste, por si só, de carga ofensiva suficiente para configurar crime", escreveu o juiz.

De acordo com o processo, a reportagem questionada informou que Antunes teria adquirido o imóvel com parte do pagamento em dinheiro vivo, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.

Segundo a defesa de Antunes, tal indicação é inverídica. "Essa afirmação, sem a apresentação de provas, imputa-lhe um crime que não cometeu. O empresário Antonio Carlos Camilo Antunes utiliza-se apenas de meios de pagamento rastreáveis, como transferência bancária e Pix."

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Antunes é investigado pela Polícia Federal, que apura um esquema de pagamentos a servidores e ex-dirigentes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A defesa do empresário diz que as acusações "não correspondem à realidade dos fatos".

A denúncia recai sobre pagamentos que estariam ligados ao empresário direcionados, direta ou indiretamente, a dois ex-diretores e ao ex-chefe da Procuradoria do instituto, além de supostos depósitos ao ex-presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, que diz não ter recebido os valores.

Durante a operação, foram apreendidos carros de luxo, incluindo um veículo que Antunes havia adquirido da esposa de um ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) um mês antes da ação policial. O advogado de Antunes diz tratar-se "de uma diligência comum em inquérito policial, sendo parte do que ocorre normalmente".

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