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Justiça manda prender mulher, troca CPF e jornalista Leonardo Sakamoto é parado pela PM

FolhaPress 07/06/2025 20:07

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Tribunal de Justiça do Paraná emitiu um mandado de prisão contra uma mulher na última terça-feira (3), mas usou o CPF de outra pessoa: o jornalista Leonardo Sakamoto, colunista do UOL. Ele foi abordado pela Polícia Militar de São Paulo por duas vezes por causa do pedido de reclusão.

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O mandado foi incluído no banco de dados de mandados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A PM colocou o jornalista entre seus alvos de busca, e na manhã deste sábado (7), a caminho do UOL para apresentar o UOL News, o carro de Sakamoto foi parado duas vezes pela corporação, que apontou fuzis e pistolas contra o rosto do jornalista.

O CPF de Sakamoto não tem qualquer semelhança com o CPF verdadeiro da mulher, que foi condenada por homicídio. O documento dela, inclusive, constou no processo da Justiça paranaense até janeiro de 2024, pelo menos. Em seguida, o caso entrou em segredo de Justiça.

O mandado de prisão contra a mulher, usando o CPF de Sakamoto, foi assinado pelo juiz Sergio Decker, da Vara Criminal de Nova Esperança (PR).

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Todos os demais dados que constam no mandado --foto, RG, data e local de nascimento e filiação-- pertencem à mulher. Em algum momento, o CPF dela foi trocado pelo do jornalista, e é o número nacional o utilizado como referência para as buscas policiais.

É improvável que tenha ocorrido erro de digitação, porque o CPF tem dois dígitos verificadores, gerados por fórmula matemática, justamente para evitar erros e garantir autenticidade.

As abordagens policiais ao colunista do UOL ocorreram na rua da Consolação e na avenida Duque de Caxias, no centro de São Paulo.

Os policiais informaram que o jornalista tinha um mandado de prisão em aberto por homicídio. Ao consultarem o registro, porém, verificaram que se tratava de uma mulher de 27 anos. Sakamoto, que não tem nenhum mandato em seu nome, foi liberado.

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Mas os dados dele seguem vinculados ao mandado de prisão. Por isso, o jornalista ouviu dos policiais a recomendação de parar de usar seu carro, vinculado ao seu CPF, para não ser abordado novamente.

"Estou impedido de usar o carro e andar na rua porque corro o risco de ser preso pela PM por um crime com o qual não tenho relação alguma", diz Sakamoto.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse que "determinou a reconfiguração do sistema policial paulista para bloquear o erro do sistema federal, até que o Poder Judiciário do Paraná ou o CNJ corrijam o erro do lançamento".

Os advogados do jornalista vão pedir a correção do CPF no mandado de prisão. Também vão solicitar que o erro seja comunicado a autoridades policiais de todo o país. Vão ainda entrar com um pedido de habeas corpus em favor do jornalista na Justiça do Paraná e de São Paulo.

O Tribunal de Justiça do Paraná foi procurado, mas não se pronunciou. Em caso de posicionamento, o texto será atualizado.

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A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) pediu apuração sobre o caso.

"O Judiciário e a polícia precisam explicar os procedimentos que foram adotados e como isso aconteceu. A alegação de erro não convence, tendo em vista que os números [de CPF] são muito diferentes", diz a entidade.

"Chama a atenção e causa preocupação o fato de a ação ser direcionada a um jornalista com marcante atuação crítica sobre a atuação policial. Sakamoto corre risco nessa situação e esse cenário precisa ser revertido imediatamente", continua a Abraji.

Nos últimos anos, Sakamoto tem sido vítima de ameaças. Já foi agredido fisicamente na rua mais de uma vez, recebeu ameaças de morte e se tornou alvo de campanhas forjadas de difamação.

O Ministério Público Federal e a Organização das Nações Unidas, da qual Sakamoto foi conselheiro em Genebra, já pediram investigações ao governo brasileiro sobre as ameaças e a violência contra o jornalista.

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