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Justiça manda Itaipu pagar trabalhadores

FolhaPress 24/01/2024 20:27

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça do Trabalho em Foz do Iguaçu determinou que a Itaipu Binacional efetive os pagamentos aos seus funcionários. A decisão atende a pedido do Sinefi (Sindicato dos Eletricitários de Foz do Iguaçu).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Empregados, prestadores de serviços e fornecedores da hidrelétrica estão com pagamentos atrasados neste início de janeiro, dos dois lados da fronteira.

O que segura a liberação de recursos é um impasse entre diretorias e conselhos de Brasil e Paraguai sobre o preço da energia elétrica para este ano. A tarifa de Itaipu é avaliada anualmente.

Em decisão proferida no final da manhã desta quarta-feira (24), a juíza titular do trabalho Tatiane Raquel Bastos Buquera acolheu o pedido de concessão de tutela de urgência de natureza antecipada apresentado pelo sindicato.

A magistrada determinou pagamento imediato das remunerações de férias aos que as estiverem usufruindo do descanso. Também estabeleceu que se cumpra o acordo coletivo da categoria e se cumpra o adiantamento de 13º salário de 2024.

O texto também destacou que Itaipu deve pagar os salários. O depósito precisa ser feito até quinta-feira (25), conforme é de praxe na empresa.

A juíza estabeleceu pena de multa diária R$ 300 mil em caso de descumprimento de qualquer uma das obrigações.

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"Entendo que a multa coercitiva por descumprimento de decisão é cabível no presente, uma vez que a reclamada sinalizou que não tem a autorização para pagar os salários ou outras verbas sem o consenso da diretoria paraguaia, sendo que a função da multa é justamente superar a resistência ao cumprimento de obrigações", destacou o texto.

A juíza afirmou ainda que os empregados da margem brasileira seguem a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) do país e que, assim, a empresa deve cumprir a legislação local ainda que seja uma empresa binacional.

Procurada pela reportagem para comentar a determinação judicial, Itaipu respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que vai discutir a questão internamente e que deve se pronunciar nesta quinta.

O Sinefi deu entrada no processo na segunda-feira (22). A juíza deu cinco dias para que a empresa se manifestasse.

A decisão desta quarta destacou que a diretoria da empresa, inclusive o diretor-geral brasileiro, Ênio Verri, confirma não houve pagamento do 13º salário e das férias dos empregados da margem brasileira.

Na manifestação, a direção de Itaipu disse que tem recursos para o pagamento, porém, dadas as particularidades da administração binacional, não pode efetuá-lo sem a aprovação do orçamento pelo conselho de administração dos dois lados da fronteira "sob pena de quebra de princípio basilar de existência da binacional".

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Ou seja, precisa do aval do Paraguai, que não quer liberar o orçamento até que se chegue a um consenso sobre o valor da tarifa da usina para 2024.

Em 15 de janeiro, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do Paraguai, Santiago Peña, se reuniram em Brasília em busca de uma solução, mas sem êxito.

A tarifa de Itaipu não é fruto de negociação. As bases para o seu cálculo estão definidas no acordo bilateral entre os sócios. Nos documentos, a tarifa tem o nome de Cuse (Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade).

Os valores começaram a ser acertados entre as partes à medida que o custo da dívida para construção da usina caiu e aumentou a demanda por recursos para obras dos dois lados da fronteira, abrindo espaço para a criação do impasse que se vive hoje.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), por sugestão da parte brasileira de Itaipu, aprovou, em dezembro de 2023, em caráter provisório, a manutenção do valor do ano passado para este ano, US$ 16 por kW.

Pessoas que conhecem a rotina na binacional dizem que a sinalização de manter o valor teria sido ruim na mesa de negociação, pois fixou o piso nesse patamar, abrindo brecha para o Paraguai pressionar por um preço mais elevado.

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Executivos que acompanham a discussão dizem que existe um pleito do Paraguai para que a tarifa seja elevada para US$ 20 pelo kW ao mês neste ano.

O texto da decisão judicial desta quarta relata que, conforme afirmou Itaipu, o impasse sobre o valor da tarifa já ocorreu em anos anteriores, mas que isso não impediu o regular cumprimento das obrigações salariais. Foi possível adotar "procedimentos provisórios extraordinários", explicou a usina.

Neste ano, no entanto, nem sequer houve consenso para a adoção de tais procedimentos.

No final do governo Jair Bolsonaro (PL), por exemplo, foi fixado do lado do Brasil, unilateralmente, uma tarifa de US$ 12,67. O Paraguai na época também trabalhou para manter o valor de US$ 20,75, que havia sido efetivado por ambos os lados em 2022. O governo Lula assumiu, e foi definido para 2023 o valor de US$ 16 por kW.

Em nenhum momento o orçamento foi paralisado.

Em sua resposta à Justiça do Trabalho, a empresa também destacou que, para diminuir o impacto causado, foram realizados cálculos e processamento de todos os pagamentos de férias, 13º e outros pagamentos de pessoal, para que seja imediato o pagamento assim que o sistema estiver liberado.

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