Deputada citou mais de 5,1 mil casos de lesão corporal e maus-tratos contra pessoas idosas registrados no Estado desde 2020
A deputada estadual Janete de Sá (PSB) cobrou, nesta segunda-feira (15), mais atenção do poder público à violência contra pessoas idosas no Espírito Santo. O alerta foi feito durante sessão ordinária da Assembleia Legislativa, no Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.
Em pronunciamento, a parlamentar afirmou que o Estado é referência em longevidade, mas precisa avançar também na garantia de dignidade e proteção para a população com mais de 60 anos.
Janete apresentou dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), segundo os quais mais de 5,1 mil idosos foram vítimas de lesão corporal e maus-tratos no Espírito Santo entre 2020 e maio de 2026. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, foram registrados 401 casos.
“Precisamos romper o pacto do silêncio diante dos maus-tratos que atingem aqueles que construíram nossas famílias, nossos bairros, nosso estado. Reflexão para que possamos compreender o que está acontecendo no silêncio das residências com idosos. O silêncio é cúmplice da crueldade”, afirmou.
Para a deputada, os números oficiais ainda não mostram toda a dimensão do problema, já que muitos casos deixam de ser denunciados. Ela classificou a subnotificação como crônica e lembrou situações recentes registradas em municípios capixabas, envolvendo abandono, agressões cometidas por familiares, extorsão praticada por cuidador e golpes financeiros acompanhados de ameaças.
Janete também chamou atenção para o fato de grande parte das ocorrências acontecer dentro de casa. Segundo ela, cerca de 80% dos casos ocorrem em ambiente doméstico, o que dificulta a denúncia e aumenta a vulnerabilidade das vítimas.
“O idoso cala-se por medo inclusive do abandono, por vergonha de expor a própria família e pela dependência emocional e financeira”, disse.
A parlamentar defendeu o fortalecimento da rede de proteção, com maior integração entre segurança pública, assistência social, Ministério Público e demais órgãos responsáveis pelo atendimento a pessoas idosas.
“Respeitar, acolher e cuidar não é uma escolha, mas uma responsabilidade coletiva”, afirmou Janete.