A isenção do IR até R$ 5 mil foi aprovada pela Câmara dos Deputados e deve beneficiar diretamente 26,6 milhões de brasileiros a partir de 2026. O Projeto de Lei 1.087/2025, que agora segue para o Senado, amplia a faixa de isenção, cria descontos intermediários e estabelece uma nova taxação sobre rendas mais altas.
De acordo com especialistas, a mudança representa um avanço histórico. Para quem ganha até R$ 5 mil, o benefício é integral: não haverá mais desconto de Imposto de Renda no contracheque.
Já para salários entre R$ 5 mil e R$ 7.350, haverá uma fórmula de abatimento que reduz significativamente o imposto devido. O resultado é um salário líquido maior e maior poder de compra para a classe média.
Apesar dos benefícios, especialistas alertam para os riscos de desequilíbrio fiscal no curto prazo. O advogado tributarista Marco Antônio Ruzene destacou que a medida gera renúncia de cerca de R$ 25,8 bilhões em 2026, e que parte da compensação prevista só terá efeito a partir de 2027.
Impacto fiscal e compensação
Para equilibrar as contas, o projeto cria uma tributação progressiva sobre lucros e dividendos:
rendimentos acima de R$ 600 mil anuais passam a ser taxados;
alíquota sobe até 10% para quem ganha acima de R$ 1,2 milhão ao ano;
cerca de 140 mil contribuintes (0,13% do total) devem ser afetados.
Segundo o relator, deputado Arthur Lira (PP-AL), a medida deve gerar R$ 12,7 bilhões até 2027, valores que também compensarão parte da redução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista na Reforma Tributária.
O que muda na prática
| Situação atual | Nova regra (2026) | Benefício direto |
|---|---|---|
| Isenção até R$ 3.036 | Isenção até R$ 5.000 | 100% livres de IR |
| R$ 5.000,01 a R$ 7.350 | Desconto fixo de R$ 978,62 | Redução significativa do imposto |
| 13º salário | Tributado exclusivamente na fonte | Passa a ter abatimento da regra |
| Declaração simplificada | Desconto de R$ 16.754,34 | Reajuste para R$ 17.640,00 |
Lucros e dividendos
Outra mudança relevante atinge os super-ricos. Valores acima de R$ 50 mil mensais distribuídos a uma mesma pessoa física terão retenção de 10% a partir de 2026. Pequenos empresários e investidores de menor porte não serão afetados.
O texto aprovado também determina que o governo apresente, no prazo de um ano, uma política de atualização da tabela do IR, para evitar novas defasagens. O projeto segue para análise no Senado e, se aprovado, será sancionado pelo presidente Lula.
O que o contribuinte precisa saber
Trabalhadores com salário até R$ 5 mil não pagarão mais IR.
Quem recebe até R$ 7.350 terá desconto fixo no cálculo.
O benefício vale também para o 13º salário.
Declaração simplificada terá teto de abatimento ampliado.
Lucros e dividendos acima de R$ 50 mil mensais serão taxados em 10%.
Com isso, a isenção do IR até R$ 5 mil se consolida como uma das maiores mudanças no sistema tributário brasileiro das últimas décadas, trazendo alívio à classe média, mas também desafios fiscais ao governo.