O presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), deputado Bruno Resende, realizou a primeira reunião do grupo de trabalho criado para estudar e propor soluções que melhorem o acesso à hemodiálise no estado. A iniciativa tem como objetivo principal superar os chamados “vazios assistenciais” — regiões onde a oferta desse tipo de tratamento é insuficiente ou inexistente.
Participaram do encontro dezenas de especialistas, entre eles o subsecretário estadual de Saúde, Gleikson Barbosa, conhecido como Kim, e médicos nefrologistas de importantes instituições, como o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), o Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim e o Hospital Rio Doce, de Linhares.
Déficit no atendimento é maior na região Sul
Durante a reunião, o subsecretário Kim explicou que, atualmente, a região Norte do Estado é atendida por unidades hospitalares em São Mateus e Barra de São Francisco. Já na Grande Vitória, a Santa Casa de Misericórdia está em processo de ampliação dos serviços de hemodiálise. No entanto, o maior gargalo se encontra na região Sul do Espírito Santo, onde o acesso ao tratamento ainda é extremamente limitado.
Bruno Resende destacou a importância de decisões técnicas e bem fundamentadas para orientar os investimentos públicos:
“Precisamos identificar, de maneira técnica, qual é a melhor forma de preencher os vazios assistenciais, indicando para o Estado onde deve ser feito o investimento que dará o melhor retorno para a sociedade”, afirmou.
Prevenção e diagnóstico precoce são prioridades
O médico nefrologista Lauro Vasconcellos, superintendente do Hucam, também participou da reunião e ressaltou a necessidade de focar na prevenção e nos cuidados com os rins, lembrando que a doença renal crônica muitas vezes é silenciosa e, quando diagnosticada tardiamente, já compromete severamente a qualidade de vida do paciente.
Projetos de lei propõem ações para prevenção e tratamento
Além da criação do grupo técnico, o deputado Bruno Resende já protocolou dois Projetos de Lei e uma Indicação Legislativa voltados ao enfrentamento da doença renal crônica:
Projeto de Lei 272/2023
Torna obrigatória a realização de exames de urina tipo I e creatinina em toda a rede pública estadual de saúde. A proposta tem como foco a prevenção e o controle da doença renal crônica por meio de exames simples e de baixo custo.
Projeto de Lei 542/2024
Cria o Programa Estadual de Diagnóstico Precoce e Prevenção da Doença Renal Crônica em Bebês e Crianças. O objetivo é garantir exames regulares que possam detectar alterações renais desde os primeiros anos de vida, evitando confusões diagnósticas com outras enfermidades, como viroses ou problemas cardíacos.
Indicação 1.411/2024
Sugere ao governo do Estado a disponibilização de profissionais de fisioterapia para acompanhar pacientes em sessões de hemodiálise. A medida tem como meta minimizar os impactos físicos negativos causados pela doença e pelo tratamento prolongado.
Segundo Bruno Resende:
“O tratamento dialítico e a própria condição da doença resultam em alterações físicas negativas no corpo do paciente, que na maioria das vezes perde a disposição para simples atividades do dia a dia.”
Comissão de Saúde busca orientar políticas públicas eficazes
O parlamentar reforça que o trabalho da Comissão de Saúde está comprometido com a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, capazes de gerar impacto real na vida dos capixabas:
“A doença renal crônica é frequentemente silenciosa, com riscos elevados de mortalidade e morbidade cardiovasculares. A prevenção é fundamental. Os trabalhos da Comissão de Saúde vão resultar em políticas para orientar os investimentos do Estado, de modo a garantir o melhor retorno para a sociedade”, concluiu.