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Política

Indiciamento da PF contra Silvio Almeida aponta importunação sexual contra Anielle e professora

FolhaPress 15/11/2025 18:52

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O indiciamento do ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula (PT) Silvio Almeida pela Polícia Federal foi embasado na suspeita de importunação sexual contra Anielle Franco (Igualdade Racial) e a professora Isabel Rodrigues.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A peça policial foi encaminhada ao STF (Supremo Tribunal Federal) na última segunda-feira (10).

No caso das demais vítimas, segundo informações de pessoas que tiveram acesso ao documento, a PF considerou que houve prescrição --quando o Estado não pode mais punir alguém pela prática de um crime ou executar uma pena pelo tempo passado desde o fato.

Somadas, as penas podem resultar em 10 anos de reclusão.

O caso tramita sob sigilo na corte e está sob a relatoria do ministro André Mendonça. No início do ano, durante as investigações, Silvio Almeida chegou a depor por mais de duas horas à Polícia Federal.

As denúncias contra o ministro foram encaminhadas à Organização Me Too e reveladas pelo portal Metrópoles em setembro do ano passado. Entre as acusações estaria a de Anielle.

A informação do indiciamento foi noticiada inicialmente pela TV Globo e confirmada pela Folha.

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O ex-ministro nega as acusações desde que vieram a público. No dia em que surgiu a denúncia, ele publicou uma nota em resposta às alegações.

"Repudio com absoluta veemência as mentiras que estão sendo assacadas contra mim. Repudio tais acusações com a força do amor e do respeito que tenho pela minha esposa e pela minha amada filha de 1 ano de idade, em meio à luta que travo, diariamente, em favor dos direitos humanos e da cidadania neste país", afirmou, à época.

Procurada, a defesa de Almeida afirmou ainda não ter conhecimento do teor do relatório da PF, além de reafirmar a inocência do ex-ministro.

Os advogados ressaltaram que o processo está sob sigilo e que o indiciamento está incluso nisso, o que deve ser preservado.

O indiciamento é um ato do inquérito policial pelo qual a autoridade que conduz a apuração relata ter encontrado evidências de que o investigado praticou um crime.

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Em geral, esse procedimento formal ocorre ao final da fase policial de um caso e, na sequência, o inquérito é enviado ao Ministério Público --nesse caso, à Procuradoria-Geral da República.

O Ministério Público pode apresentar denúncia à Justiça contra o suspeito ou pedir o arquivamento do caso. É também possível que promotores ou procuradores peçam investigações adicionais à polícia.

Um investigado só pode ser considerado réu após a Justiça acolher a acusação formal oferecida pelo Ministério Público.

Em depoimento à Polícia Federal, Anielle disse que as "abordagens inadequadas" de Almeida foram escalando até a importunação física.

A ministra afirmou à revista Veja que houve "atitudes inconvenientes" por parte de Almeida, como toques inapropriados e convites impertinentes, mas que ela não reportou os episódios por "medo do descrédito e dos julgamentos", além da sensação de que a culpa era da vítima, não do agressor.

No caso da professora, ela publicou um vídeo em setembro do ano passado acusando o ex-ministro de tê-la tocado sem consentimento durante um almoço na presença de outras pessoas, em 2019, antes de ele se tornar ministro dos Direitos Humanos do governo Lula (PT).

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"Eu sentei do lado do Silvio. Ele estava do lado direito eu do lado esquerdo. Eu estava de saia. Ele levantou a saia e colocou a mão nas minhas partes íntimas com vontade", disse.

Silvio Almeida chegou a dizer, em entrevista ao UOL, que Anielle teria "se perdido no personagem" e caído em uma armadilha política.

Na época, o ex-ministro também publicou um manifesto nas redes sociais no qual afirmou que retomaria suas atividades públicas. "Eu estou vivo, continuo indignado e não quero compaixão nem 'segunda chance'. Eu quero justiça."

O caso levou o presidente Lula a demitir Silvio Almeida um dia após a revelação das denúncias. Antes da decisão, o petista se reuniu separadamente com Almeida e, após publicar a demissão, com Anielle Franco. Desde então, a pasta dos Direitos Humanos é comandada por Macaé Evaristo.

No comunicado oficial da demissão, o governo informava que o presidente considerava "insustentável" a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual.

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