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Imprensa internacional repercute prisão de Daniel Vorcaro: 'Magnata com segredos'

Estadão Conteúdo 05/03/2026 16:03

A imprensa internacional repercutiu a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na terceira fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 4. Na nova etapa das investigações, foram reveladas mensagens que sugerem a proximidade do empresário com autoridades e figuras importantes da política brasileira.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O jornal espanhol El País se referiu a Vorcaro como um "magnata cujos segredos fazem tremer a classe política do Brasil". Em reportagem publicada nesta quarta-feira, o texto destaca que, nesta operação sobre as fraudes do empresário, os suspeitos podem tentar fechar acordos de delação premiada.

"O caso Master é uma sombra pairando sobre grande parte da elite econômica e política do Brasil, dadas as suas enormes ramificações. O maior pesadelo agora é que Vorcaro, cada vez mais encurralado, decida revelar tudo e confessar o esquema aos investigadores em busca de clemência. Suas conexões alcançam partidos políticos de todas as matizes", escreveu.

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Além disso, o texto ainda destaca que Vorcaro e seus ajudantes chegaram a acessar sistemas restritos do Ministério Público, da Polícia Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.

"É que o poderoso banqueiro tinha à sua disposição uma espécie de milícia privada chamada 'A Turma', uma equipe de fiéis que coletava informações sensíveis e espionava ilegalmente e ameaçava adversários, autoridades e jornalistas", diz a reportagem.

A agência de notícias britânica Reuters destacou que a prisão preventiva de Vorcaro foi baseada em novas provas obtidas pela Polícia Federal incluindo as mensagens de texto do celular do banqueiro.

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Em troca de mensagens interceptadas pela PF, Daniel Vorcaro teria solicitado a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, fosse agredido em um assalto forjado. O "Sicário" era responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas e ao monitoramento de pessoas.

"Algumas mensagens de texto obtidas durante a investigação mostraram Vorcaro dizendo ao associado que gostaria de mandar espancar um jornalista. 'Quebrar todos os dentes dele, num assalto', disse ele", diz o texto.

Já o jornal britânico Financial Times noticiou que Vorcaro foi preso pela segunda vez. A reportagem afirmou que "as prisões marcam uma escalada significativa na investigação de suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro no Banco Master, que colapsou no ano passado com perdas estimadas em mais de R$ 40 bilhões, na maior falência bancária no Brasil em uma geração".

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Na imprensa norte-americana, a agência Associated Press publicou que a operação da Polícia Federal também ordenou o congelamento de bens no valor de R$ 22 bilhões. A reportagem destacou que na decisão de 48 páginas que determinou a prisão de Vorcaro, o ministro do STF André Mendonça apontou indícios de crimes contra os sistemas financeiro e judiciário, além de possível participação em organização criminosa e práticas de lavagem de dinheiro.

"Vorcaro também fazia parte de um grupo que buscava obter informações confidenciais, monitorar indivíduos considerados adversários do grupo e realizar ações de intimidação para proteger os interesses do núcleo da organização criminosa", diz o texto.

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