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Sustentabilidade

Ilha da Trindade amplia vegetação nativa em mais de 1.400% e vira referência em restauração ambiental

Vitória News 10/07/2025 13:07

A Ilha da Trindade, território capixaba no Oceano Atlântico, se tornou exemplo nacional de recuperação ecológica. Um estudo conduzido por pesquisadores do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aponta que, entre 1994 e 2024, a área florestal da ilha aumentou 1.468,62%, com a regeneração de 65,06 hectares, enquanto as áreas de pastagens cresceram 319,45%, totalizando 325,14 hectares a mais de cobertura vegetal.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo os pesquisadores, o principal fator que impulsionou a recuperação ambiental foi a remoção completa de uma espécie invasora: a cabra, introduzida na ilha no século 18. Sem predadores naturais, o rebanho cresceu descontroladamente e passou a consumir praticamente toda a vegetação, prejudicando o ecossistema e ameaçando a sobrevivência de espécies nativas.

A retirada das cabras, concluída em 2005, abriu caminho para o renascimento da flora local. O estudo foi publicado no periódico internacional Journal of Vegetation Science com o título “Da perturbação à recuperação: desvendando o papel das cabras e dos motores ecológicos na dinâmica da vegetação da Ilha da Trindade, Atlântico Sul, Brasil”.

“As ilhas merecem nossa atenção e cuidado por apresentarem ecossistemas delicados, nos quais muitas vezes encontramos espécies nativas que não são vistas em outros locais. Qualquer ameaça a esse equilíbrio pode levar à extinção de espécies únicas. Aqui estudamos especificamente a Ilha da Trindade, mas levantamos conhecimentos que vão muito além dela”, disse o professor Nílber Gonçalves da Silva, orientador da pesquisa.

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O levantamento também contou com a participação dos biólogos Felipe Zuñe, Márcia Gonçalves Rogério e Ruy José Válka Alves. Os cientistas ressaltam que, além da presença das cabras, fatores ambientais como o regime de chuvas influenciaram diretamente o ritmo da restauração. Anos mais chuvosos favoreceram o crescimento das florestas quando o número de cabras era reduzido, enquanto períodos de seca intensificaram a degradação das pastagens até 2004.

A conclusão do estudo é de que a restauração da vegetação depende de uma compreensão integrada dos fatores biológicos e climáticos. Mesmo após décadas de impactos severos, a natureza pode se recuperar se houver manejo adequado e políticas ambientais baseadas em ciência.

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“Isso é particularmente importante no contexto das mudanças climáticas globais, que podem alterar a dinâmica da recuperação da vegetação de maneiras ainda não totalmente compreendidas”, destacam os autores.

O estudo reforça a importância de estratégias de restauração que considerem práticas de manejo adaptativo, contemplando a presença de espécies invasoras e a variabilidade climática, com potencial de aplicação em ilhas e outros ecossistemas frágeis ao redor do mundo.

Fonte: Agência Brasil
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