Levantamento mostra que amigos, companheiros, filhos, jornalistas e pessoas acompanhadas nas redes sociais exercem maior impacto sobre o eleitorado masculino; jovens aparecem como o grupo mais suscetível a opiniões externas
Os homens brasileiros declaram sofrer mais influência de pessoas próximas e de conteúdos externos na hora de escolher seus candidatos do que as mulheres. A diferença aparece em praticamente todos os fatores analisados por uma pesquisa Datafolha, incluindo opiniões de amigos, companheiros, filhos e pessoas acompanhadas nas redes sociais.
Entre os homens, 40% afirmam que a opinião de amigos exerce algum grau de influência sobre o voto. Entre as mulheres, o percentual é de 31%, uma diferença de nove pontos percentuais.
Considerando todo o eleitorado brasileiro, 36% dizem que pessoas próximas interferem em alguma medida na decisão nas urnas. Desse total, 16% relatam muita influência e 20% apontam pouca influência. A maioria, correspondente a 62%, afirma que a opinião dos amigos não altera sua escolha eleitoral.
A influência é mais elevada entre os jovens. Na faixa dos 16 aos 24 anos, 44% dos eleitores reconhecem que amigos próximos interferem de alguma forma em sua decisão. O índice cai para 31% entre pessoas de 35 a 44 anos e fica em 33% entre aquelas com 60 anos ou mais.
A opinião de maridos, esposas, namorados e namoradas também exerce impacto relevante. Ao todo, 38% dos entrevistados afirmam que o companheiro ou a companheira influencia o voto, sendo que 20% consideram essa influência alta e 18%, baixa.
Novamente, os homens aparecem como mais suscetíveis: 40% reconhecem a influência da pessoa com quem mantêm um relacionamento, ante 36% das mulheres.
Entre os eleitores com filhos de 16 anos ou mais, 36% dizem levar em consideração a opinião deles. Para 21%, a influência dos filhos é alta, enquanto 15% a classificam como pequena. A diferença entre os gêneros permanece: 40% dos homens afirmam ser influenciados pelos filhos, em comparação com 33% das mulheres.
O nível de escolaridade também interfere nesse comportamento. A influência dos filhos chega a 44% entre eleitores que estudaram até o ensino fundamental, recua para 39% entre aqueles com ensino médio e cai para 30% entre os que possuem formação superior.
Jornalistas e outros profissionais da imprensa influenciam a decisão de 38% dos eleitores. Para 17%, essa interferência é elevada, enquanto 21% consideram que o impacto é pequeno.
O peso da imprensa é especialmente forte entre os mais jovens. Na faixa dos 16 aos 24 anos, 54% reconhecem algum grau de influência de jornalistas e profissionais da comunicação. O percentual é de 45% entre eleitores de 25 a 34 anos e varia entre 32% e 35% nas faixas etárias mais altas.
As diferenças também aparecem conforme o posicionamento político declarado. Entre eleitores que se identificam como bolsonaristas, 33% afirmam ser influenciados pela imprensa. O índice sobe para 41% entre os petistas e chega a 44% entre aqueles que não se identificam com nenhum dos dois grupos.
As pessoas acompanhadas nas redes sociais exercem influência sobre 32% do eleitorado. Desse total, 15% relatam muita influência e 17%, pouca. Entre os homens, o percentual chega a 36%, enquanto entre as mulheres fica em 29%.
O impacto das redes sociais também é maior entre os mais jovens. Nas faixas dos 16 aos 24 anos e dos 25 aos 34 anos, 39% afirmam que os perfis acompanhados nas plataformas digitais interferem em sua escolha eleitoral.
Os líderes religiosos apresentaram o menor nível de influência entre todos os fatores avaliados. Ao todo, 23% dos eleitores dizem considerar a orientação dessas lideranças na hora de votar, sendo que 13% relatam muita influência e 10%, pouca.
A escolaridade volta a produzir diferenças significativas. Entre os eleitores com ensino fundamental, 30% afirmam que líderes religiosos influenciam sua decisão. O índice cai para 22% entre aqueles com ensino médio e para 15% entre os que concluíram o ensino superior.
A diferença entre católicos e evangélicos foi menor do que em outros recortes. Entre os católicos, 24% reconhecem algum grau de influência religiosa sobre o voto. Entre os evangélicos, o percentual chega a 28%.
Os resultados mostram que, embora a maioria dos brasileiros declare tomar a decisão eleitoral sem interferência direta de outras pessoas, fatores como gênero, idade e escolaridade ajudam a definir o grau de influência exercido por familiares, amigos, imprensa, redes sociais e lideranças religiosas.