Um morador de Araranguá, no litoral sul de Santa Catarina, foi multado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) após perseguir intencionalmente um elefante-marinho-do-sul em rota migratória. O animal, que descansava na praia, foi perturbado por luzes fortes e som alto durante a noite, conforme mostra um vídeo divulgado nas redes sociais.
O flagrante ocorreu na terça-feira (19), e as imagens revelam o momento em que o homem se aproxima do mamífero marinho, assustando-o. Testemunhas relataram ainda que o mesmo indivíduo já havia circulado próximo ao animal durante a tarde, dirigindo um veículo automotor nas proximidades.
Infrações ambientais e penalidades
O Ibama autuou o cidadão com base em dois artigos do Decreto nº 6.514/2008, que trata das infrações contra o meio ambiente. A primeira infração, prevista no Artigo 24, diz respeito à perseguição de espécime da fauna silvestre em rota migratória. Para essa conduta, a multa aplicada foi de R$ 5 mil.
Já a segunda infração, descrita no Artigo 30 do mesmo decreto, refere-se à molestação de animal silvestre — neste caso, um pinípede — de forma intencional. Por isso, o homem foi multado em mais R$ 2,5 mil. Além das multas, ele poderá responder criminalmente pelos atos cometidos contra o animal.
Aumento da presença de elefantes-marinhos nas praias
Segundo o analista ambiental do Ibama, Leandro Aranha, a presença de elefantes-marinhos nas praias brasileiras tem se tornado mais frequente, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
“Nas últimas temporadas, tem aparecido bastante em todo o litoral brasileiro, principalmente no Sul do país”, afirma Aranha. “Esses animais chegam aqui cansados, buscando águas quentes e banhos de sol, para se recompor e depois continuar sua jornada”, explica o especialista.
O Ibama reforça que, ao avistar um elefante-marinho, a população deve manter distância, evitar ruídos e não tentar interagir com o animal. Em casos de suspeita de ferimentos ou comportamento anormal, as autoridades ambientais devem ser acionadas para realizar o resgate, oferecer cuidados e, se necessário, devolver o animal ao seu habitat em segurança.
Sobre o elefante-marinho-do-sul
O elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) é uma espécie silvestre originária da Patagônia Argentina e da região circumpolar. Embora raro, sua aparição tem sido registrada de forma esporádica no litoral brasileiro, com maior incidência nas praias do Sul.
Esse mamífero aquático pertence à superfamília dos pinípedes, que inclui também focas, leões-marinhos, lobos-marinhos e morsas. A palavra “pinípede” tem origem no latim e significa “pé em forma de pena”, fazendo referência à forma adaptada dos membros desses animais, que facilita sua locomoção aquática.
A dieta do elefante-marinho-do-sul é composta principalmente por peixes e lulas. Em outubro de 2024, ocorreu um fato inédito no país: foi registrado o nascimento de um filhote da espécie em território brasileiro, marcando um avanço nas observações sobre sua presença no litoral nacional.
Fonte: Ibama