Durante a abertura da Reunião de Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais do Brics, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu uma "reglobalização sustentável", com base no desenvolvimento social, econômico e ambiental. O evento faz parte da programação da 17ª Cúpula do Brics, que será realizada nos dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro, sob a presidência do Brasil.
“Uma nova aposta na globalização, dessa vez baseada no desenvolvimento social, econômico e ambiental da humanidade como um todo”, afirmou Haddad, reforçando a proposta de um modelo mais inclusivo e justo.
Além disso, o ministro manifestou apoio à criação de uma Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Cooperação Internacional em Matéria Tributária, que visa promover um sistema global de impostos mais equitativo. “Trata-se de um passo decisivo rumo a um sistema tributário global mais inclusivo, justo, eficaz e representativo – uma condição para que os super-ricos do mundo todo finalmente paguem sua justa contribuição em impostos”, disse.
Haddad também ressaltou que o Brics surgiu da demanda por maior representatividade no sistema financeiro global. “Nenhum outro foro possui hoje maior legitimidade para defender uma nova forma de globalização”, observou. O bloco reúne países que juntos representam quase metade da população mundial.
O ministro relembrou o protagonismo do Brasil à frente do G20, especialmente com a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. “Já naquele momento, fizemos da defesa do multilateralismo uma marca da presidência brasileira. De lá para cá, essa defesa se tornou urgente. Não há solução individual para os desafios do mundo contemporâneo.”
Segundo Haddad, o enfrentamento da crise climática e da desigualdade demanda ação coletiva: “Nenhum país isoladamente, por mais poderoso que seja, pode dar uma resposta efetiva ao aquecimento global, ou atender as legítimas aspirações da maior parte da humanidade por uma vida digna. A perspectiva de criar ilhas excludentes de prosperidade em meio à policrise contemporânea é moralmente inaceitável. Em vez disso, temos que encontrar soluções cooperativas para os nossos desafios comuns.”
Na pauta ambiental, o ministro destacou o papel dos países do Brics na construção de mecanismos para financiar a transição ecológica. Ele mencionou o avanço das discussões sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forest Forever Facility – TFFF), que visa incentivar economias de baixo carbono. “Nos últimos dias, conversamos muito sobre o Tropical Forest Forever Facility. Estou convencido de que o Brics pode desempenhar um papel decisivo em sua criação, com um anúncio de grande impacto durante a COP 30”, afirmou Haddad.
“Em parceria com o Brics, almejamos consolidar-nos como um porto seguro em um mundo cada vez mais instável. Serenidade e ambição, são, portanto, as marcas da nossa presidência”, concluiu.
O Brics é um grupo formado por 11 países-membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Também participam como países parceiros Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão.
Juntos, os países do Brics somam 39% do PIB mundial, concentram 48,5% da população global e respondem por 23% do comércio internacional. Em 2024, os países do bloco foram destino de 36% das exportações brasileiras e origem de 34% das importações.