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Política

Haddad critica tarifa de Trump e diz que Brasil não será vassalo em disputa comercial com os EUA

Vitória News 10/07/2025 13:56

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou como “desastroso” o impacto da nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e afirmou que o Brasil não aceitará ser submisso em relações internacionais. A medida, anunciada nesta quarta-feira (9) pelo presidente norte-americano Donald Trump, passa a valer a partir de 1º de agosto e, segundo Haddad, representa um ataque sem justificativa econômica ao país.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

“Não há outra explicação: esse golpe contra o Brasil, contra a soberania nacional, ele foi urdido por forças extremistas de dentro do país. Como eu acredito que o tiro vai sair pela culatra, acredito que isso não pode se sustentar”, declarou Haddad durante entrevista ao Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, nesta quinta-feira (10).

No comunicado enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump justificou a taxação com base em suposta influência do ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado. Para Haddad, a manobra teria motivação exclusivamente política. “A única explicação plausível para o que foi feito ontem é porque a família Bolsonaro urdiu esse ataque ao Brasil, com um objetivo específico, que é escapar do processo judicial que está em curso”, afirmou.

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Entre os produtos brasileiros que serão afetados estão suco de laranja, máquinas e aeronaves, boa parte deles produzidos em São Paulo. Haddad apontou o governador paulista, Tarcísio de Freitas, como defensor da agenda de Bolsonaro, mesmo com o risco de prejuízo direto à economia do estado. “A extrema-direita vai ter que reconhecer, mais cedo ou mais tarde, que deu um enorme tiro no pé, porque está prejudicando o principal estado do país, justamente o estado de São Paulo”, disse.

“É o suco de laranja de São Paulo, são os aviões produzidos pela Embraer, que é uma conquista histórica da tecnologia brasileira. Eu penso que o governador errou muito porque, ou bem uma pessoa é candidata a presidente, ou é candidata a vassalo. E não há espaço no Brasil para vassalagem. Desde 1822 isso acabou”, completou o ministro da Fazenda.

Diplomacia e resposta brasileira

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O presidente Lula também reagiu à medida norte-americana e anunciou que o Brasil irá aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica. Haddad destacou que o setor produtivo já se mobiliza diante dos possíveis prejuízos. “Entidades estão de cabelo em pé, buscando apoio do governo para a situação”, disse o ministro, referindo-se à repercussão entre representantes da indústria e do agronegócio (veja nota oficial).

Haddad reafirmou a confiança na diplomacia brasileira e alertou para os riscos de uma postura unilateral. “É uma agressão que vai ficar marcada como uma coisa inaceitável e inexplicável, um governo entrar na onda de um político extremista local para atacar um país, 215 milhões de habitantes”, afirmou. “Nós temos, nesse momento, que estar unidos, o setor produtivo, o agronegócio, com a indústria paulista que é a mais afetada”.

Críticas ao unilateralismo e defesa do multilateralismo

A imposição da tarifa acontece na mesma semana em que os presidentes Trump e Lula se enfrentaram verbalmente por conta da Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro. Trump chegou a ameaçar países alinhados ao bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o que, segundo Haddad, agora se traduz em retaliação direta.

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O ministro defendeu o multilateralismo e reforçou que o Brasil não será apêndice de nenhuma potência. “Nós não estamos dando mais ou menos espaço para quem quer que seja. O Brasil está buscando parcerias para se desenvolver com a maior tranquilidade, com o maior pragmatismo possível”, afirmou.

Segundo ele, o país aposta numa “reglobalização sustentável”, em contraposição ao modelo neoliberal do passado. “A globalização neoliberal, realmente, não deu certo. Ela produziu enormes desequilíbrios, e isso muito em virtude daquilo que foi a receita do Norte Global”, disse, ao comentar a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Para Haddad, a postura agressiva do governo Trump é contraproducente e deve ser contornada com diálogo: “Eu creio que foi um dia ruim e que nós vamos ter que encontrar um caminho de superar e esquecer que ele aconteceu para boa relação entre dois povos que se gostam”.

Fonte: ABr

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